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AS PIMENTAS QUE ARDEM NOS OLHOS. // Marcelo Aiquel – Advogado - 11/06/2017

O que temos visto e acompanhado nos poderes da República não nos deixa esquecer a máxima: “pimenta nos olhos dos outros é refresco”.
A fantástica e interminável hipocrisia mostra exatamente isso nas declarações das autoridades que não conseguem evitar os holofotes da mídia.
Senão, vejamos:
1) Quando se propôs o impeachment da então presidente Dilma, muitos políticos “ultra coerentes” berraram que se tratava de golpe;
2) Mas, quando o assunto era dirigido para a “renúncia do presidente Temer”, exatamente os mesmos “ultra coerentes” achavam normal.
   Aí não era GOLPE?
3) Quando a ex-presidente Dilma foi flagrada oferecendo uma providencial guarida ao Lula da Silva, a gravação foi extremamente condenada;
4) Mas, quando um gangster da estirpe do Joesley Batista grava o presidente Temer, a gravação vale.
   Afinal, que tipo de gravação é considerada legal?
5) Quando se divulga que um ministro do STF é alvo de investigação, logo saltam muitos para criticar, dizendo que tal ato “cheira a ditadura”;
6) Mas, quando o investigado é o Presidente da República, o próprio STF dá autorização para os investigadores ir a fundo.
   Afinal, pode ou não pode investigar uma autoridade?
7) Quando a OAB vem a público para criticar abertamente a fórmula de indicação dos ministros para as Cortes Superiores;
8) Mas, se a “fórmula” é exatamente a mesma há muitos anos, e nunca antes a nossa OAB moveu um dedo para criticá-la, cabe perguntar (sem ofender):
   Por que, somente agora, o modo “ficou ruim”?
Eu poderia citar aqui mais uma dúzia de fatos semelhantes, todos recentes, e que demonstram que para “os nossos” nada, enquanto que para “os outros”, tudo.
Ou, para ser mais claro: Aos amigos, a lei; aos inimigos, os rigores da lei.
É um tal de “dois pesos e duas medidas” que dá nojo a todos aqueles que gostam de igualdade.
Até porque, falar em igualdade e democracia, sem – no entanto – exercê-las, é muito bonito num discurso demagógico, feito exclusivamente com a intenção única de enganar bobos.
Estamos há menos de 400 dias de uma eleição histórica, e – pelo andar da carruagem – tudo aponta no sentido da reeleição das mesmas desgastadas figurinhas, representando os mesmos partidos que hoje são tão caluniados como “é tudo farinha do mesmo saco”, ou, “só muda o endereço” (isto para ser educado...)
Então, em 2018 vamos caprichar para eleger colírios em lugar de pimentas. Se não, vai arder nos olhos.
NOS NOSSOS OLHOS!

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