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Recordando
a História
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INCRÍVEIS EXÉRCITOS DE BRIZOLEONE |
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OPERAÇÃO PINTASSILGO 2. A |
Após
a Revolução de 31 de Março de 1964, centenas de comunistas e inconformados políticos
fugiram para o Uruguai. A proximidade do Rio Grande do Sul, então visualizado como o
principal foco de resistência, oferecia condições seguras para que fosse feita uma
avaliação da situação e realizado o planejamento das maquinações revanchistas. A
fronteira seca favorecia o contato permanente entre os asilados e aqueles que, embora
atingidos por atos revolucionários, ainda não se sentiam ameaçados a ponto de se
aventurarem a abandonar o Brasil.
O folclore afirma que
Brizola fugiu disfarçado de mulher, com uma sainha curta e batom na boca. A verdade,
entretanto, é que, depois de passar todo o mês de abril escondido em diferentes locais
de Porto Alegre, Brizola, disfarçado de soldado da Brigada Militar, foi levado num
fusquinha dirigido por Lenir, esposa do advogado Ajadil de Lemos, até à praia de Pinhal.
Daí, um avião monomotor dirigido por Manoel Leaes ("Maneco") levou-o até
Sarandi Grande, já no Uruguai.
Em pouco tempo, Brizola
tornou-se um ponto de referência no Uruguai. A "cadeia da legalidade", sua
frustrada tentativa para conter o movimento de Março, dava-lhe uma ascendência natural
sobre todos os asilados. Sua inegável liderança carismática, associada a uma
verbosidade demagógica, fizeram-no o centro de iradas tertúlias contra o regime militar
que se instalara no Brasil.
Enviava
mensagens pelo rádio dizendo que, até dezembro, estaria de volta ao País, na
"crista de um movimento insurrecional". Usando senhas e os intermediários
Albery Vieira dos Santos, ex-sargento da Brigada Militar, e Lucio Soares Costa, recebia
muita gente: comunistas, militares, sindicalistas, políticos, padres e freiras. Fez
contatos com agentes cubanos, dentre os quais o próprio chefe da polícia secreta, Miguel
Bruguera del Valle. Elaborou um "Livro de Ouro" para angariar recursos
financeiros no Brasil e no exterior. Os famosos dólares de Cuba estariam entre eles.
Elaborou um "Regulamento Revolucionário", com dez mil exemplares impressos em
Montevidéu.
Não
conseguiu, entretanto, unir todas as forças que se opunham ao novo governo
revolucionário. Seu projeto de formar e liderar uma "frente" esbarrou no jogo
de interesses e na inconciliável luta que envolvia a vaidade pessoal dos outros líderes.
Num prolongamento das anteriores fracassadas tentativas de união e refletindo a crise das
esquerdas, os asilados acabaram se dividindo em três grandes grupos, distintos por suas
origens: um sindical, um militar e um liderado por Brizola.
Em novembro, estava em
pleno desenvolvimento a crise envolvendo Mauro Borges, governador de Goiás, acusado de
uma tentativa de socialização com a participação de estrangeiros e de militares
cassados.
Nessa
época, em clima de aproveitamento da crise de Goiás, foi montada, no Uruguai, a
"Operação Pintassilgo". O plano previa o ataque a diversos quartéis, a tomada
da Base Aérea de Canoas, no Rio Grande do Sul, e a utilização dos aviões da FAB para o
bombardeamento aéreo do Palácio Piratini, visando à morte do Governador Ildo
Meneghetti.
A prisão em Porto
Alegre, em 26 de novembro de 1964, do capitão-aviador cassado, Alfredo Ribeiro Daudt,
abortou a operação e todos os seus planos caíram em poder da polícia. Diversos
militares da Aeronáutica estavam envolvidos, aliciados pelo tenente-coronel reformado
Américo Batista Moreno e pelo ex-sargento Santana.
Muitos
anos mais tarde, em 1982, em entrevista concedida na Assembléia Legislativa do Rio Grande
do Sul, o ex-coronel Jeffersom Cardim de Alencar Osório acusaria Brizola de ter sido o
responsável pela Operação Pintassilgo.
Do Uruguai, no conforto
de suas estâncias, Brizola queria enviar os ingênuos para as ações que ele próprio
não tinha coragem de executar.
F. Dumont
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