Simon: Sarney, Suassuna e Renan são "bandidos do partido"
Senador disse que os três colegas querem derrubar as prévias
do PMDB
Roberta Araujo
O senador Pedro Simon (PMDB-RS) demonstrou revolta ontem,
durante sessão no plenário ao saber que os companheiros de
partido e senadores José Sarney (PMDB-AP), Ney Suassuna
(PMDB-PB) e o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL)
marcaram para a próxima quarta-feira uma reunião da Executiva
Nacional que, segundo Simon, debaterá estratégias para derrubar
as prévias da legenda, marcadas para o dia 19, que definirão o
candidato peemedebista à Presidência da República. Indignado,
Simon disse que, se a reunião realmente acontecer, irá acionar o
Conselho de Ética do partido contra Sarney, Renan e Suassuna.
"As bases querem as prévias. A cúpula quer a prévia. Apenas
Sarney, Renan e Suassuna querem manobrar para evitar as prévias.
O que eles querem é manter os privilégios dos cargos que detêm
no governo Lula. Por isso eles querem ficar com essa gente. Para
eles, não interessam candidatura própria, porque eles não vão
ter no PMDB a força que eles têm hoje no PT com Lula. Eles estão
atuando como bandidos do partido", acusou Simon.
A disputa para a candidatura no partido corre entre o
ex-governador do Rio Anthony Garotinho e o governador licenciado
do Rio Grande do Sul, Germano Rigotto. Simon acredita que este é
o momento ideal para o PMDB conquistar destaque com uma
candidatura própria, uma vez que, de acordo com as pesquisas de
opinião pública, o partido cresceu 40%, enquanto que o PT perdeu
50%.
"Querem apoiar o Lula. Para mim, isso é um escândalo para o
PMDB, que é hoje um dos maiores partidos do País. Não concordo
de jeito nenhum fazer uma eleição onde as únicas opções são
votar no PT ou no PSDB. O PMDB tem que ter candidatura própria",
insistiu.
"Já estou munido de documentos para levar ao Conselho de
Ética do partido porque acho que eles (Sarney, Suassuna e Renan)
estão fazendo um trabalho antipartido", criticou.