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Diversos Roraima: estado à beira do conflitoEntidades indígenas garantem que vão se rebelar caso STF decida pela redução da área da reserva Raposa Serra do Sol BRASÍLIA - O impasse entre indígenas e agricultores na reserva Raposa Serra do Sol, em Roraima, pode virar guerra a qualquer momento. O Supremo Tribunal Federal (STF) decidirá, provavelmente esta semana, se os agricultores de arroz que estão instalados na área da reserva precisarão deixar o local para os índios. No fundo, a decisão servirá para orientar de que lado ficarão a Polícia Federal e a Força Nacional de Segurança — que seguem de prontidão na área — mas terá pouco efeito sobre as partes envolvidas. O Conselho Indigenista de Roraima (CIR), principal órgão mobilizador dos nativos, diz que não respeitará a decisão, se ela for favorável aos fazendeiros. “Se a lei não vale mesmo para nada, se o Supremo decidir contra, nós vamos dar uma ‘prensada’, estamos só aguardando. Aí é que nós vamos fazer nossas casas mesmo, onde nós quisermos”, afirma o coordenador da entidade, Jacir José de Souza, da etnia Macuxi. A crise na região se agravou em abril de 2005, com a decisão do governo federal de fazer a reserva indígena de forma contínua, ou seja, extinguindo as vilas e fazendas de não-indígenas instaladas na região. Com isso, os proprietários que vivem na área há décadas foram expulsos. A decisão tomada pelo governo foi a defendida pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi), que é contra qualquer comunidade não-indígena na reserva. Segundo militares e senadores do estado, no entanto, a demarcação de forma contínua não seria o desejo nem mesmo da maioria dos indígenas. Segundo eles, grande parte dos índios da etnia Macuxi - majoritária na região - convive intensamente com os não-índios e gostaria de continuar desfrutando das facilidades obtidas: “Os índios querem luz elétrica, boas escolas, água. Eles querem ser integrados no processo”, afirma o senador Augusto Botelho (PT-RR). Para o ministro da Justiça, Tarso Genro, as críticas viriam, na verdade, de uma percela pequena dos indígenas: “Alguns índios não querem que haja demarcação porque são empregados de fazendeiros, já têm uma relação com a comunidade organizada nos moldes tradicionais de desenvolvimento de uma forma diferente. Agora, são 18 mil índios na região. E essa demanda não surgiu ontem”, justifica. Desde que a tensão na reserva se acentuou, o governo federal instaurou lei da mordaça em toda a Esplanada dos Ministérios. Nem os comandos militares, nem o Ministério da Defesa e sequer a Fundação Nacional do Índio (Funai) podem falar sobre o assunto com a imprensa. Os discursos contra a criação da reserva vêm sempre acompanhados de teorias sobre os objetivos dos índios na região. Para o CIR, o objetivo é simples: “A importancia da área contínua como unidade indígena é por causa da preocupação com o aumento da população. Hoje, já existem 20 mil índios. Sem terra eles não podem viver, porque eles vivem da terra”, justifica Jacir José. Mas os críticos da demarcação afirmam que o terreno da reserva é repleto de jazidas minerais. Além disso, questionam o fato de o CIR receber financiamento de entidades internacionais. Isso porque a região faz fronteira com a Venezuela e com a Guiana e já foi alvo de disputas territoriais entre os dois países vizinhos, inclusive com invasões. O MAIOR FOCO DE RESISTÊNCIA Feita em 2005 justamente para tentar acabar com os conflitos entre índios, arrozeiros, agricultores e garimpeiros, a demarcação da reserva Raposa Serra do Sol acabou tendo o efeito inverso. No dia seguinte à demarcação, o governador Ottomar Pinto (PTB) decretou sete dias de luto oficial no estado. Desde então, quatro vilas já foram extintas — Mutum, Socó, Água Fria e Vila Pereira — e cerca de 400 agricultores foram retirados da região. Os únicos que conseguiram resistir foram os plantadores de arroz, que têm poder financeiro e político. Os três senadores de Roraima — Augusto Botelho (PT), Mozarildo Cavalcanti (PTB) e Romero Jucá (PMDB) — são contra o formato adotado pelo governo e apresentaram ao Supremo propostas alternativas que foram rechaçadas quando foi criada a reserva para as etnias Macuxi, Wapixana, Igarinkó, Guatamuna e Tarepang. Os três senadores defendem a liberação da área dos arrozeiros, que são considerados importantes para a economia do estado. “A demarcação é um atentado às pessoas, à economia do estado e à soberania do País”, critica Mozarildo
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