RECORDANDO A HISTÓRIA
ALGUNS CRIMES DO PCB
Contam-se
aos milhões os casos mundialmente conhecidos da violência comunista contra a pessoa
humana, escudada num estranho valor moral que privilegia a revolução proletária em
relação ao indivíduo, os fins justificando os meios.
Afirma Merleau-Ponty:
"A
astúcia, a mentira, o sangue derramado, a ditadura são justificados se tornam possível
o poder do proletariado e dentro desta medida somente." ("Humanismo e
Terror", Ed. Tempo Brasileiro, RJ, 1968, página 13).
A violência, segundo a esquerda radical, seria válida se cometida em nome da classe
operária e de seu representante, o Partido Comunista.
Lenin, em seu "testamento", havia indicado seis homens que poderiam
substituí-lo na condução do Estado Soviético: Stalin, Zinoviev, Kamenev, Rykov,
Bukharin e Trotsky.
Stalin, elegendo-se Secretário-Geral do PCUS, nunca conseguiu eliminar a oposição que
lhe faziam os grupos internos dirigidos pelos outros cinco.
Na década de 30, a URSS vivia sob o clima da ameaça de uma guerra mundial e da questão
sobre se seria possível enfrentá-la com a existência de uma oposição interna a
Stalin, na cúpula do PCUS.
Os denominados "processos de Moscou" foram as respostas dessa questão e os
opositores, sucessivamente, eliminados. Zinoviev e Kamenev foram fuzilados em 1936, Rykov
em 1937, Bukharin em 1938 e Trotsky, que já estava banido da URSS desde 1929, foi
assassinado em 1940, no México.
E isto para citar, apenas, alguns dirigentes.
Torna-se difícil, entretanto, imputar a Stalin a única culpa pelos crimes, como desejava
Trotsky. Em um regime que dá a uma classe um poder total e ditatorial, qualquer homem
poderia utilizá-lo sobre as demais parcelas da sociedade.
Alguns anos mais tarde, Tito, chefe do governo iugoslavo, afirmaria que os erros e os
crimes cometidos resultavam mais do sistema soviético do que das falhas morais do
ditador, cuja ascenção tal sistema proporcionou.
No Brasil, fanatizados pela mesma ideologia e animados pelos mesmos propósitos
indecifráveis que os conduziram à Intentona de 1935, os comunistas deram seguidas
demonstrações de inaudita violência, ao perpetrarem crimes, com requintes de
perversidade, para eliminar, não só seus "inimigos", as forças policiais, mas
seus próprios companheiros.
O "Tribunal Vermelho", criado para julgar, sumariamente, todos aqueles que lhes
inspiravam suspeitas e receios, arvorava-se em juiz e executor, fornecendo, ao Partido
Comunista Brasileiro (PCB), um espectro trágico e patético.
Pelos casos conhecidos, pode-se inferir, também, que dezenas de outros crimes foram
cometidos pelos comunistas, sem que houvessem vindo a público, escondidos pela
"eficiência do trabalho executado".
Os casos a seguir relatados mostram, de um modo pálido, mas irretorquível, essa
violência levada aos limites do absurdo.
As famílias das vítimas não tiveram, como ainda não os têm, o reconhecimento e o
amparo da sociedade.
Aos assassinados, cabe a afirmação de Merleau-Ponty:
"Admitir-se-á
talvez que eles eram indivíduos e sabiam o que é a liberdade. Não espantará se, tendo
que falar do comunismo, nós tentamos vislumbrar, através nuvem e noite, estes rostos que
se apagaram da terra." (Idem, página 32).
- BERNARDINO PINTO DE ALMEIDA
Em 1935, ainda antes da Intentona, Honório de Freitas Guimarães
("Milionário"), membro do CC/PCB, denunciou Bernardino Pinto de Almeida, vulgo
"Dino Padeiro", de traição.
O "Tribunal Vermelho", cioso de suas atribuições, julgou-o culpado e perigoso
para a ação armada que se avizinhava.
O próprio Secretário-Geral do Partido, Antonio Maciel Bonfim, o "Miranda",
decidiu executá-lo, com o auxílio de seu cunhado, Luiz Cupelo Colônio.
"Dino Padeiro", deslumbrado com a possibilidade de encontrar-se com o número um
do Partido, foi atraído para um local ermo, próximo à então estação de Triagem da
Central do Brasil, no Rio de Janeiro.
Fora das vistas, "Miranda" desfechou-lhe uma coronhada e, em seguida, dois tiros
de revólver. Tendo a arma enguiçado, tomou a de Cupelo e desfechou-lhe mais dois tiros,
para ter a certeza da morte.
Entretanto, por incrível que pareça, "Dino" sobreviveu e, socorrido por
funcionários da ferrovia, pôde contar sobre a tentativa de crime.
Ironicamente, o destino deu voltas.
Mais tarde, Cupelo sentiria, em sua própria família, o peso da violência.
- AFONSO JOSÉ DOS SANTOS
Em 2 de dezembro de 1935, com os militantes do PCB entrando na clandestinidade pela
derrota da Intentona, o "Tribunal Vermelho" julgou e condenou à morte Afonso
José dos Santos.
A vítima foi delatada por José Emídio dos Santos, membro do Comitê Estadual do PCB no
Rio de Janeiro, que recebeu o encargo da execução.
Três dias depois do "julgamento", José Emídio cometia o assassinato, na
garagem da Prefeitura de Niterói.
Impronunciado por falta de provas, só em 1941 o crime foi esclarecido.
- MARIA SILVEIRA
Elisiário Alves Barbosa, militante do PCB, quando estava na clandestinidade em São
Carlos, cidade do interior paulista, apaixonou-se pela também militante Maria Silveira,
conhecida como "Neli".
Indo para o Rio de janeiro, o próprio Elisiário, após algum tempo de militância,
acusou "Neli" de não mais merecer a confiança do Partido.
O "Tribunal Vermelho" condenou-a à morte.
Planejado o crime, os militantes Ricarte Sarrun, Antonio Vitor da Cruz e Antonio Azevedo
Costa levaram-na, em 6 de novembro de 1940, até à Ponte do Diabo, na Estrada do
Redentor, na Floresta da Tijuca.
No transporte, usaram o táxi dirigido por Domingos Antunes Azevedo, conhecido por
"Paulista".
Logo ao chegar, "Neli" foi atirada da Ponte do Diabo por Diocesano Martins, que
esperava no local. Mas, havia a possibilidade de que ela não morresse na queda. Para
certificar-se da morte, Daniel da Silva Valença aguardava no fundo do abismo.
"Neli", entretanto, já chegou morta. Foi esquartejada por Valença, que
procurou torná-la irreconhecível a fim de dificultar a identificação e apagar
possíveis pistas.
- DOMINGOS ANTUNES AZEVEDO
Dois meses depois, os assassinos de
"Neli" estavam preocupados com a possível descoberta do crime.
Em 20 de janeiro de 1941, reunidos, verificaram que o ponto fraco era o motorista do
táxi, Domingos Antunes Azevedo.
Decidiram
eliminá-lo.
Antonio Vitor da Cruz e Antonio Azevedo Costa,
"amigos" do motorista, atrairam-no para um passeio na Estrada da Tijuca. Foram
também, Diocesano Martins e Daniel da Silva Valença, este sentado ao lado do motorista.
Num local em que o táxi andava bem devagar, Diocesano desfechou três tiros na vítima,
que tombou de bruços sobre o volante.
Valença freiou o carro e o cadáver foi atirado à margem da
estrada.
Segundo eles, os assassinatos de "Neli" e do "Paulista", em nome do
Partido Comunista, jamais seriam descobertos.
Esses foram alguns dos crimes cometidos pelo PCB, há mais de 60 anos. Mais tarde, muito
mais tarde, esse Partido de Prestes não iria juntar-se às dezenas de organizações
comunistas que defenderiam a sangrenta luta armada como o único caminho para a tomada do
poder.
F. DUMONT
TERRORISMO NUNCA MAIS!
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