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RECORDANDO A HISTÓRIA
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O ASSASSINATO DO DR. OCTÁVIO GONÇALVES MOREIRA JÚNIOR (OTAVINHO)
Durante o ano de 1972, as organizações
terroristas sofreram pesadas perdas em combates travados com os órgãos de segurança.
Para elas, era necessária uma ação de intimidação.
Em São Paulo, documentos
apreendidos em "aparelhos" terroristas mostravam levantamentos com nomes de
pessoas do DOI/II Exército, suas características pessoais, tipo de carros usados, locais
freqüentados, endereços, etc. Medidas foram tomadas para proteger o pessoal e todos
foram alertados para o perigo de um atentado.
Esses levantamentos haviam sido
enviados para o Chile, onde um grupo formado por quatro organizações terroristas
brasileiras, intitulando-se Tribunal Popular Revolucionário, decidiu
"justiçar" um membro do DOI/II Exército. Compunham este "Tribunal"
as seguintes organizações: Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), Ação Libertadora
Nacional (ALN), Partido Comunista Brasileiro Revolucionário (PCBR) e Vanguarda Armada
Revolucionária Palmares (VAR-P).
O escolhido foi o Dr. Octávio Gonçalves
Moreira Júnior, Delegado de Polícia lotado no DOPS/SP. Excelente profissional, ele se
apresentou como voluntário para trabalhar na "Operação Bandeirante" (OBAN),
que depois, reformulada, passou a se chamar Destacamento de Operações de Informações
(DOI)). Apesar de avisado da intenção dos terroristas, não imaginava que seria um alvo
fácil.
"Otavinho", como era conhecido, viajava seguidamente
para o Rio de Janeiro, onde residia sua noiva Ângela. Era um apaixonado pelo sol, pelo
mar e pela Escola de Samba da Portela, da qual era membro honorário. No Rio de Janeiro,
sempre desarmado e despreocupado, não sabia que seus algozes o estavam seguindo e que já
conheciam os seus hábitos em suas folgas de trabalho.
O levantamento de sua vida, no Rio, foi feito pela
terrorista Bete Chachamovitz, da ALN, que repassava todos esses dados para um comando
terrorista denominado "Getúlio de Oliveira Cabral". No início de fevereiro de
1973, Bete concluiu a sua missão.
No dia 23/02/73, sexta-feira, à noite, o Dr.
Octávio viajou de São Paulo para o Rio. O comando terrorista, graças ao trabalho de
Bete Chachamovitz, já sabia, pela rotina de "Otavinho", onde ele se hospedava.
Sabia, também, que invariavelmente, ele ia à praia de Copacabana.
O Dr. Octávio, no sábado, dia 24, foi à praia, e
à noite, ao ensaio da Portela. No dia seguinte, 25/02/73, pela manhã, voltou à mesma
praia, onde jogou voleibol, e depois foi almoçar no Leme com o seu amigo Carlos Alberto
Martins.
Quando voltava do almoço, confiante e despreocupado,
não notou que um automóvel Opala escuro estava estacionado na esquina da Avenida
Atlântica com a Rua República do Peru, desde às 1500h. Dentro dele, aguardando, estavam
os encarregados da execução, enquanto os outros, dando cobertura, ficaram posicionados
em locais estratégicos. Todos, integrantes do comando terrorista que estava assim
constituído:
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- Bete Chachamovitz, da ALN;
- Tomás Antônio da Silva Meirelles Netto ("Luiz"), da ALN;
- Merival Araújo ("Zé"), da ALN;
- Flávio Augusto Neves Leão Sales ("Rogério", "Bibico"), da ALN;
- José Carlos da Costa ("Baiano", "Bira", "Maneco"), da
VAR-P;
- James Allen Luz ("Ciro", "Edson", "Roberto",
"Tarso"), da VAR-P;
- Ramires Maranhão do Vale ("Adalberto", "Alberto",
"Cristo", "Mago", "Magro", "Ziraldo",
"Zizi"), do PCBR;
- Ranúsia Alves Rodrigues ("Florinda", "Maga", "Magra",
"Maria", "Mirtes", "Nuce"), do PCBR. |
"Otavinho" caminhava com o amigo em direção ao
apartamento onde se hospedava. Como sempre, estava desarmado. Parou num orelhão para
telefonar para sua noiva. Neste momento, Bete Chachamovitz fez o reconhecimento visual e o
apontou para os terroristas. Do carro, saltaram os três assassinos. Um deles trazia uma
esteira de praia, enrolada debaixo do braço. Dentro da esteira, uma carabina calibre 12
mm.
Foi dado o primeiro tiro, nas costas, derrubando-o e
atirando-o a alguns metros de distância. Um segundo tiro, destinado ao coração, atingiu
o crucifixo de ouro que ele trazia no pescoço, ricocheteou e perfurou o seu pulso
direito. O outro homem aproximou-se e desfelhou-lhe mais dois tiros no rosto. Os últimos
tiros foram disparados de uma pistola automática calibre 9 mm.
Otavinho morreu instantaneamente. Na sua carteira de
documentos, um cartão: "Sou muito católico. Em caso de acidente, chame
imediatamente um padre, mesmo que eu já esteja morto". Carlos Alberto, o amigo que o
acompanhava, foi atingido por dois tiros, mas sobreviveu.
Os assassinos, depois de espalharem panfletos sobre o corpo,
correram até o Opala, que partiu em disparada.
Estava consumado mais um assassinato que a esquerda chamava de
"justiçamento". O "Comando Revolucionário Popular Getúlio de Oliveira
Cabral" seguiu à risca os ensinamentos do Manual de Carlos Marighela, fundador da
ALN e ideólogo do terror, onde lista os sete pecados capitais do guerrilheiro e afirma:
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"Guerrilheiros
não matam por raiva, nem por impulso, pressa ou improvisação. Matam com
naturalidade.Não interessa o cadáver, mas seu impacto sobre o público." |
Não poderia haver melhor impacto sobre os órgãos de
segurança do que matar, pelas costas, um jovem delegado idealista que, pela sua
educação, amabilidade e carisma, era muito estimado. Hoje, 27 anos depois, o Dr.
Octávio Gonçalves Moreira Júnior, como outras vítimas do terrorismo, está
completamente esquecido, enquanto que Marighela foi homenageado pela Câmara dos
Deputados, no dia 13/12/1999, e muitos outros que participaram desses grupos terroristas
são apresentados como mártires. Ruas, praças e avenidas recebem seus nomes. Suas
famílias são indenizadas pelo governo com polpudas quantias em dinheiro.
Felizmente, a esquerda revolucionária não conseguiu implantar
uma ditadura comunista em nosso país. A sua derrota, imposta pelos órgãos de segurança
da época, com o sacrifício de heróis como o Dr. Octávio Gonçalves Moreira Júnior,
permitiu-nos desfrutar da plena democracia em que hoje vivemos.
O corpo do Dr Octávio, logo após o assassinato:

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