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Opinião
A voz dos súditos
por Orlando Silveira em 01 de julho de 2006 Resumo: O que leva uma parte dos auto-intitulados educadores a ter um analfabeto por opção como o presidente da República, em elevada conta, talvez explique em boa medida a miséria do ensino brasileiro, público e privado. © 2006 MidiaSemMascara.org Há uma categoria profissional que me intriga: a dos auto-intitulados educadores. O que leva uma parte deles a ter um analfabeto por opção como o presidente da República, em elevada conta, talvez explique em boa medida a miséria do ensino brasileiro, público e privado. Não ignoro o esforço de muitos educadores. Assim como não ignoro que, em geral, eles são mal remunerados. O que, a rigor, não justifica nada. Não é porque um médico ganha pouco que ele tem o direito de ser incompetente. O mesmo vale para os demais profissionais. Por que eu escrevo isso? Porque uma "mestra" em educação – a comprovar a tese de que a ignorância e a intolerância são os bens mais fartamente distribuídos neste mundo – mandou uma carta a este jornal protestando contra textos nele publicados, inclusive contra um deles, Dom Menas, assinado por este escriba. Para a mestra, quem não reza pela sua cartilha petista é um "idiota reacionário". Ora, ora: idiota é idiota. Ponto. Não vejo em quê um "idiota progressista" seja melhor que um "idiota reacionário". Mas vamos ao que, de fato, importa. A educadora faz parte dos que comungam desta praga nacional, o pensamento politicamente correto. É uma gente que não resiste à tentação de privatizar os pobres em benefício de uma causa furada, quando não em favor próprio. Dizer que neste país "há 500 anos" se rouba, é conversa tipicamente petista. Muitos deles – isso é público e notório – tiraram as mãos da graxa para enfiar os pés na lama. Antes, eles se diziam diferentes de "tudo que está aí". Hoje, o que mais querem, a começar por Dom Menas, é aparecer na fotografia como se fossem iguais aos outros, com a diferença, a seu favor, de que a causa nobre justifica os meios dos quais se valem. Sem qualquer pudor. A mestra fala de investimentos em Educação, atendimento de populações não-favorecidas. Em que mundo vive esta senhora? Dom Menas distribui esmolas em quantidades. É fato. A um sujeito como ele não poderia mesmo ocorrer idéia melhor. E ele conta com o aplauso de uma certa igreja da libertação – muito embora vá às urnas com o apoio de um partido sob o comando de bispos mais chegados ao pragmatismo do cofre cheio que a teses republicanas. Qual foi, na Educação, a grande reforma de Dom Menas? A reforma universitária não saiu do papel. Acostumado a comprar consciências venais, o governo sequer conseguiu aprovar o Fundeb. Tenho certeza de que esta senhora não lê jornais. Este Diário do Comércio lhe caiu às mãos por acaso. Ou, o que é pior, a mestra é vassala convicta de uma causa para lá de equivocada.
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