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Opinião - Monstros
Olavo de Carvalho
Para os comunistas e seus
bajuladores, a morte de uns 400 terroristas, durante o regime militar
brasileiro, foi algo de incomparavelmente mais grave, mais revoltante,
mais intolerável do que a matança de 75 milhões de civis chineses pela
ditadura de Mao Dzedong, de 20 milhões de russos pelo governo soviético
ou de 3 milhões de cambojanos pela quadrilha de Pol-Pot. Claro, os
comunistas são diferentes de nós. Segundo Che Guevara, são "o primeiro
escalão da espécie humana". Se você mata um deles, mesmo em defesa
própria, é crime hediondo. Se ele mata 100 mil de nós, desarmados e
amarrados, torna-se um herói, que é como o senhor Mino Carta define
Fidel Castro.
Protestando contra a
comparação quantitativa entre a ditadura brasileira e a cubana, que o
colunista Reinaldo Azevedo faz na última Veja, Gerald Thomas vocifera
seu sacrossanto horror à contagem de cadáveres e em seguida se põe a
contá-los por sua vez, acusando os militares brasileiros pela "perda da
vida de milhares, digo, milhares de vidas inocentes". Primeiro, não eram
inocentes: eram guerrilheiros armados, que só começaram a morrer depois
de estourar com bombas dezenas de civis (estes sim, inocentes). Segundo:
não foram milhares, foram quatro centenas na mais hiperbólica das
hipóteses, jamais submetida a revisão crítica. Para Gerald Thomas,
números são um expediente retórico desonesto quando verdadeiros: só os
falsos são argumentos honrados.
Sinceramente, já estou velho
demais para continuar fingindo que indivíduos capazes de julgar seus
semelhantes com um critério tão desproporcional, tão disforme, tão
manifestamente iníquo, sejam pessoas normais e decentes com quem eu não
tenha senão divergências filosóficas. Esses sujeitos são doentes, são
sociopatas perigosos, incapazes de olhar para os discordantes sem
antever, com sádica alegria, o cadáver do "inimigo de classe" girando no
espeto como um frango no forno da História.
Eis alguns - só alguns - dos
objetivos proclamados abertamente pelos líderes e mentores comunistas:
1. Karl Marx: extermínio de
classes sociais inteiras e de uns quantos "povos inferiores" (sic).
2. V. I. Lênin: terrorismo
sistemático como fórmula de governo.
3. Leon Trotsky:
militarização completa do trabalho industrial e agrícola. Supressão da
liberdade de escolher emprego.
4. Stálin: "Morte aos
pequenos proprietários rurais. Ódio e desprezo aos que os defendem"
(sic).
5. Che Guevara: Treinar os
militantes para que se tornem "eficientes e frias máquinas de matar"
(sic).
Notem bem: não são
crueldades impremeditadas, sobrevindas no calor da batalha. São
intenções declaradas.
Como é possível que alguém
em seu juízo perfeito considere o comunismo um belo ideal humanitário,
que um acaso infeliz desviou de seus altos propósitos?
Foi só por um desejo insano
de enganar-se retroativamente a si próprios que muitos comunistas,
depois da morte de Stálin, começaram a espremer seus cérebros para
explicar como o regime dos seus sonhos pudera "degenerar" em tanta
violência e maldade. Não era degenerescência: era a execução racional e
bem sucedida de planos traçados com muita antecedência - desde Marx - e
levados à prática com a frieza metódica de uma obra de engenharia.
Fidel Castro, Guevara,
Pol-Pot, Lênin, Stálin, Trótski, Marx - quem quer que escreva uma só
palavra em favor desses monstros é seu semelhante, distinguindo-se deles
em tamanho apenas, não em qualidade. Ainda que por covardia ou falta de
ocasião não venha a realizar pessoalmente seus desígnios macabros, não
esconde sua admiração por quem os realiza. E depois ainda se faz de
horrorizado ante quem cometeu crimes incomparavelmente menores, se é que
é crime apelar à violência para deter um genocídio anunciado e já em
fase avançada de execução.
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