Nossos governantes
Olavo de Carvalho
filósofo
Desafio o
governo Lula e seus 60 intelectuaizinhos de estimação, os partidos
de esquerda, o dr. Baltasar Garzón e todos os camelôs de direitos
humanos a provar que qualquer das afirmações seguintes não
corresponde aos fatos:
1. Todos os
militantes de esquerda mortos pela repressão à guerrilha eram
pessoas envolvidas de algum modo na luta armada. Entre as vítimas do
terrorismo, ao contrário, houve civis inocentes, que nada tinham a
ver com a encrenca.
2. Mesmo depois
de subir na vida e tomar o governo, tornando-se poderosos e não raro
milionários, os terroristas jamais esboçaram um pedido de perdão aos
familiares dessas vítimas, muito menos tentaram lhes dar alguma
compensação moral ou material. Nada, absolutamente nada, sugere que
algum dia tenham sequer pensado nessas pessoas como seres humanos;
no máximo, como detalhes irrisórios da grande epopéia
revolucionária. Em contrapartida, querem que a opinião pública se
comova até às lágrimas com o mal sobrevindo a eles próprios em
retaliação pelos seus crimes, como se a violência sofrida em
resposta à violência fosse coisa mais absurda e chocante do que a
morte vinda do nada, sem motivo nem razão.
3. Bradam
diariamente contra o crime de tortura, como se não soubessem que
aprisionar à força um não-combatente e mantê-lo em cárcere privado
sob constante ameaça de morte é um ato de tortura, ainda mais grave,
pelo terror inesperado com que surpreende a vítima, do que cobrir de
pancadas um combatente preso que ao menos sabe por que está
apanhando. Contrariando a lógica, o senso comum, os Dez Mandamentos
e toda a jurisprudência universal, acham que explodir pessoas a esmo
é menos criminoso do que maltratar quem as explodiu.
4. Mesmo sabendo
que mataram dezenas de inocentes, jamais se arrependeram de seus
crimes. O máximo de nobreza que alcançam é admitir que a época não
está propícia para cometê-los de novo – e esperam que esta confissão
de oportunismo tático seja aceita como prova de seus sentimentos
pacíficos e humanitários.
5. Consideram-se
heróis, mas nunca explicaram o que pode haver de especialmente
heróico em ocultar uma bomba-relógio sob um banco de aeroporto, em
aterrorizar funcionárias de banco esfregando-lhes uma metralhadora
na cara, em armar tocaia para matar um homem desarmado diante da
mulher e do filho ou em esmigalhar a coronhadas a cabeça de um
prisioneiro amarrado – sendo estes somente alguns dos seus feitos
presumidamente gloriosos.
6. Dizem que
lutavam pela democracia, mas nunca explicaram como poderiam criá-la
com a ajuda da ditadura mais sangrenta do continente, nem por que
essa ditadura estaria tão ansiosa em dar aos habitantes de uma terra
estrangeira a liberdade que ela negava tão completamente aos
cidadãos do seu próprio país.
7. Sabem
perfeitamente que, para cada um dos seus que morria nas mãos da
polícia brasileira, pelo menos 300 eram mortos no mesmo instante
pela ditadura que armava e financiava a sua maldita guerrilha. Mas
nunca mostraram uma só gota de sentimento de culpa ante o preço que
sua pretensa luta pela liberdade custou aos prisioneiros políticos
cubanos.
Desses sete
fatos decorrem algumas conclusões incontornáveis. Esses homens têm
uma idéia errada, tanto dos seus próprios méritos quanto da
insignificância alheia. Acham que surrar assassinos é crime
hediondo, mas matar transeuntes é inócuo acidente de percurso (e
recusam-se, é claro, a aplicar o mesmo atenuante às mortes de civis
em tempo de guerra, se as bombas são americanas). São hipersensíveis
às suas próprias dores, mesmo quando desejaram o risco de sofrê-las,
e indiferentes à dor de quem jamais a procurou nem mereceu.
Procedem, em suma, como se tivessem o monopólio não só da dignidade
humana, mas do direito à compaixão. Qualquer tratado de psiquiatria
forense lhes mostrará que esse modo de sentir é característico de
criminosos sociopatas, ególatras e sem consciência moral. Não tenham
ilusões. É esse tipo de gente que governa o Brasil de hoje