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Realmente, nada há que ser acrescentado ao texto abaixo. Claro, preciso e conciso. Se o Congresso aprovar tal barbaridade, a exemplo de outras que já aprovou, teremos chegado ao fundo do poço. Meus cumprimentos ao autor. OJBR
CAVANDO A PRÓPRIA COVA

26/02/2008

O presidente Lula mandou ontem, sob os aplausos de sindicalistas camaradas, mensagem ao Congresso Nacional propondo a ratificação da Convenção nº 158 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que deixa a poder dos sindicatos homologar, ou não, a demissão involuntária de trabalhadores na iniciativa privada. Na prática vedaria a demissão, tornando o emprego nas empresas privadas, a exemplo do que já ocorre no setor público, vitalício.  Se o Congresso vai aprovar ou não a mensagem é questão em aberto, mas, se aprovar, veremos a prova mais miserável do que significa ter um sindicalista na Presidência da República, instância que sempre soube ser racionalizadora dos arroubos legislativos estultos.

É a mais poderosa e funesta tentativa intervenção do Estado nas relações do Trabalho desde a Era Vargas.

Estamos aqui diante da evidência mais gritante de que o governo do PT caracteriza a “invasão vertical dos bárbaros” ao poder, expressão que Ortega y Gasset empregou no seu famoso ensaio A REBELIÃO DA S MASSAS para caracterizar a ascensão do nazismo, fascismo e progressismo (este especialmente nos EUA) ao poder dos Estados à sua época, início dos anos trinta, quando ainda essas massas não haviam chegado ao apogeu de destruição que foi a II Guerra Mundial. Então como agora vemos o homem-massa senhor absoluto da esfera política, cioso de ser autor do seu destino, expelindo matéria jurídica sem ter qualquer compromisso com a realidade da vida.

Lula será talvez a encarnação mais acabada desse fenômeno, o perfeito “senhorito satisfeito” (outra deliciosa expressão cunhada por Ortega) que acha que a organização econômica é um fato da natureza e que riquezas são como que frutos que dão em árvores na floresta, bastando estender a mão para colhê-las, como faria qualquer bárbaro em sua floresta. Têm a pretensão de revogar a lei da escassez e de se apossar dos bens produzidos coletivamente sem atentar que eles precisaram, antes, ser produzidos, e que precisarão sê-lo novamente no futuro. Para tanto, as condições para que a produção ocorra terão que ser mantidas.

O fato nu e cru é que a produção de riquezas depende de dois pólos fundamentais, entre outros. De um lado, dos meios técnicos de “como fazer” a baixo custo e, do outro, das condições institucionais para que isso ocorra. Por condições institucionais sublinho duas que são especialmente relevantes: a propriedade privada e o livre mercado, sobretudo o livre mercado de trabalho. Sem a possibilidade de demitir antevejo não apenas a cessação da geração de novos empregos, como também demissões em massa até a véspera de sua entrada em vigor. Certamente teríamos a explosão da economia informal no mercado de trabalho, mas essa infelizmente não compensaria as perdas da economia formal, de sorte que caminharíamos para o desastre econômico. Uma regressão civilizacional.

Atente o leitor que essa não é uma medida meramente populista. Ela está sendo gestada nos aparelhos comunistas internacionais, como a OIT, há anos, e seu objetivo é mesmo destruir a ordem capitalista, eleita pelos homens-massa inimiga dos trabalhadores. Não acontece por acaso. Certo, é o irracionalismo elevado à sua máxima potência, mas essa tem sido a tônica de todas as ideologias do século XX que adentraram triunfantes ao século XXI. Fascismo, nazismo, progressismo, sindicalismo: toda essa forja esquerdista no fundo renega a tradição liberal, a mais sofisticada e generosa ordem política e econômica que a humanidade construiu. A ordem mais eficiente e mais benéfica de todas que se tem notícia.

Medidas dessa natureza não é um mero voltar a formas de governo ultrapassadas, é voltar a um estágio ainda mais primitivo: é como se o Estado fosse uma mãe (“mommy”, para usar a expressão de Aldous Huxley tão oportunamente relembrada por Jonah Goldberg no livro recentemente por mim resenhado. Ver http://www.nivaldocordeiro.net/quemsaoosfascistas.html ). Comportar-se primitivamente é fazer voltar o homem à condição primitiva, é provocar artificialmente a involução. Não preciso dizer do potencial de violência embutido em uma mudança radical como essa no corpo jurídico.

Dá para imaginar do que Lula e o PT serão capazes de conseguirem os votos no Senado Federal para a aprovação da reeleição de Lula. Olhemos a Venezuela e poderemos ver o futuro que nos espera: a destruição do próprio futuro. Oremos e vigiemos.

 

Nivaldo Cordeiro

www.nivaldocordeiro.net

 

PS. Não escrevi sobre a sucessão em Cuba porque nada havia a dizer ou acrescentar. Fidel era (é) uma múmia que conseguiu fazer com que outras múmias saídas de sarcófagos ideológicos continuassem sua “obra” deletéria, para a desgraça do povo cubano