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Diversos
Lulla e o PT se elegeram porque
firmaram compromissos com o povo? Bom seria. Entretanto, o que se viu, desde
o documento já citado, foi o compromisso com o FMI, com a governabilidade
comprada no balcão do mensalão, com o projeto megalomaníaco de poder do PT,
José Dirceu, do campo majoritário. Fizeram o jogo da estabilidade econômica,
já plantada desde 1994, com o acerto do Plano Real, e apostaram no
assistencialismo e no paternalismo irresponsável, pois não se sabe quem
pagará a conta. As elites certamente não serão, pois o governo beneficiou os
banqueiros, as grandes empresas e, claro, as negociatas de uma corrupção
feroz e jamais vista. Não me venham falar dos malefícios da democracia
representativa, que tudo isso é próprio do sistema. Aliás, ninguém deve ser
absolvido por ser corrupto, em tempo algum. Para mim, Maluf ainda é ladrão e
nunca deveria, através de seu partido, PP, ter ajudado Marta Suplicy a
governar a nossa cidade. Compra de voto para a emenda da reeleição também
cai na mesma vala e tantos exemplos tristes.
Porém, o PT não tinha e não tem o direito de ter se transformado no campeão da bandidagem e da corrupção, não ele, o pregador da ética na política. Agora me ocorrem exemplos simples, talvez prosaicos, mas muito elucidativos. Quando alguém contrata uma empregada doméstica, uma babá, vai a um cabeleireiro, ao médico, ao banco etc, espera que as pessoas sejam honestas, competentes e confiáveis. Podemos até temer as falhas ou transgressões: a babá irá bisbilhotar nos objetos de valor? O médico tem mesmo as especializações que proclama? A taxa cobrada no extrato é legítima? São temores inerentes, medos necessários, cautelas e prudências que protegem. Entretanto, em geral, a experiência reforça a confiança. Quando nos decepcionamos é porque um destes temores se confirmou. Agora, ninguém contrataria uma babá correndo o risco de ela ser uma seqüestradora ou assassina ou iria a um médico supondo que ele é um charlatão ou facínora, ou manteria a conta em um banco que faz seu saldo desaparecer. Por isso, não é possível continuar dizendo que tudo o que ocorreu no governo Lulla é normal, esperado, próprio da política e do sistema. Não é. Formação de quadrilha, suspeita de assassinatos, roubos e desvios de quantias vultuosas para compra sistemática de partidos e políticos? Não, não são decorrências naturais do sistema. São crimes, desvios, aberrações, as quais, sobretudo o PT, não tinha o direito de cometer. Por último, alegação de ignorância também não cabe. Qualquer pai que tenha ido dormir em um domingo à tarde e teve seu carro emprestado à sua revelia, a um filho menor de idade, sabe muito bem que se algo der errado, se ele bater em outro veículo ou ferir alguém, não poderá, de modo algum, (repito, de modo algum) alegar ignorância, muito menos traição. Ele responde civil e criminalmente pelo erro do filho. Desculpem-me se recorro a exemplos tão banais, mas estou contaminada pelas últimas declarações delle sobre namoro, casamento e traição. Embora, tenha as
minhas convicções e clara posição a respeito de para quem irá meu voto,
não me cabe aqui externá-lo. Não escrevi este artigo para defender ninguém.
Apenas alerto para a necessidade de se resgatar o medo, contraponto do desejo,
que nos alerta para as possibilidades, nos permite diferenciar a esperança
positiva dos sonhadores, idealistas e rebeldes, dos delírios maníacos,
triunfantes e onipotentes das personalidades psicopáticas. Não votar em Lulla é
ser fiel a esta esperança. Até porque, rigorosamente, elle perdeu há muito o
direito de ser candidato. A candidatura Lulla é um blefe, uma armação, se
sustenta na construção de um mito atrasado, gasto. Lulla não existe e por isso
não pode ser votado. Maria Silvia Bolguese Psicanalista Profª Drª em Psicologia Social Cidadã Brasileira |