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Artigos
VOCÊ JÁ FOI A RORAIMA?
por Maria Lucia Victor Barbosa
Enquanto o escândalo que envolve espionagem do
presidente do STF e de altas figuras da República, espera para ser suplantado
pelo da semana seguinte, a conflituosa questão da Reserva Raposa Serra do Sol
deixou de freqüentar os noticiários. Espera-se pela decisão do STF para saber se
apenas alguns poucos índios poderão ficar sobre uma imensa área de Roraima
enquanto rizicultores serão expulsos.
Também no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina o governo que agraciar índios
aculturados que hoje preferem um Pajero ao Pajé, com vastidões territoriais.
Isso sem falar nos quilombolas, ou seja, aqueles que se dizem descendentes dos
escravos e que também terão sua vingança contra o branco mau.
Parece que um frenesi de redenção populista acometeu o governo Lula. Todas as
“dívidas” históricas devem ser pagas, inclusive, a países latino-americanos.
Para a Bolívia, onde habita um povo sofrido e governa um companheiro com o
charme politicamente correto da descendência indígena, o governo Lula doou
instalações da Petrobrás com prejuízo de um bilhão e quinhentos milhões de
dólares para o Brasil. Muito também já foi doado a países africanos e agora se
prepara a doação de Itaipu para o presidente, ex-bispo e companheiro Fernando
Lugo.
Recordemos que nas colônias da América Espanhola, por volta de 1771, o mestiço
denominado crioulo, meio espanhol, meio índio, ao mesmo tempo dominado e
discriminado pelo europeu que lhe negava acesso às esferas mais altas do poder,
e dominador e discriminador em relação ao “mau selvagem”, descarregou sobre este
seu complexo de inferioridade.
A partir de 1810, porém, quando se inicia o processo de independência das
colônias hispânicas, uma ideologia inversa à que existia fez com que os crioulos
de declarassem “índios de honra”. Emergiu o “bom selvagem” que passou a ser
cantado em verso e prosa.
No Brasil não havia as civilizações adiantadas dos Astecas, dos Maias, dos Incas
e nossos índios se encontravam no nível pré-histórico. Hoje devem restar poucas
tribos em estado primitivo, mas, mesmo assim, parece haver um propósito da parte
do governo Lula de exaltar o mito do “bom selvagem”. De novo a velha tática de
dividir para governar que joga negros contra brancos, pobres contra ricos e
agora índios contra “não índios”, termo que é mais uma pérola da língua petês.
Muito a propósito, um amigo virtual, Gilberto, de Curitiba, me perguntou: “Você
já foi a Roraima”? Disse-lhe que não e ele seguiu pelo e-mail dizendo:
“Eu já fui, na década de 70, quando esses arrozeiros estavam desbravando aquela
região sem estradas, sem médicos, sem comunicações”.
“Sobrevoei a região até a fronteira da Venezuela”. “Dava medo”. “Estávamos em um
monomotor e eu sabia que se tivéssemos uma pane, desceríamos em um ermo onde
ninguém nos acharia antes de sermos comidos pelas feras ou pelos mosquitos”.
“Foi ali que os arrozeiros se estabeleceram. Pacificamente, sem matar um só
índio, até porque sobra terra para pouco índio (menos de um por quilômetro
quadrado).
“Esse pioneiros, se fossem do MST, teriam toda proteção do governo petista
porque seriam sem-terra ocupando uma área abandonada, de acordo com o direito de
posse garantido pela Constituição”.
“Mas eles não são do MST”. “Não vivem sustentados pelas bolsas-esmolas nem comem
o que lhes é enviado pelo governo em cestas básicas”. “Os arrozeiros prosperam
com seu trabalho e sua coragem, o que é um crime aos olhos da esquerda”.
“Então, devem ser expulsos para em seu lugar virem os índios que nada farão com
aquela terra, exceto vender seus recursos para quadrilhas de brancos e comprar
caminhonetes importadas, como tem acontecido em todas as reservas indígenas”.
“Outro dia assisti a um documentário sobre esse caso e achei muito emblemática
uma passagem: depois de um monte de asneiras de antropólogos sobre a preservação
da ‘cultura indígena’, o documentário passou a mostrar um bando de índios
entrando num barco a motor e se embrenhado pela floresta para caçar macacos”.
“Sim, matar macacos para comer faz parte da ‘cultura indígena”. “Mas como
aqueles índios caçaram”? “Caçaram com espingardas modernas que não davam a
mínima chance aos nossos pobres primos arborícolas”. “Ao final, voltaram no
mesmo barco a motor e, chegando à maloca, o chefe do bando disse: ‘agora, de
acordo com nossa cultura, vamos fazer sopa de macaco”.
“Que lindo, é preciso preservar isso, uma atividade tipicamente indígena,
herdada de ancestrais milenares: barco a motor e caça com espingarda”.
“Agora imagine se os luminares do PT resolverem restaurar as culturas indígenas
destruídas pelo branco no Brasil?” “Uma das primeiras coisas que retornará será
o canibalismo praticado pelos tupinambás. E se os mexicanos, seguindo o exemplo,
resolverem restaurar a antiga cultura asteca, haja coração, no sentido mais lato
da expressão”.
Será, pergunto, que os petistas sonham em restaurar o comunismo tribal em pleno
século 21? Duvido, eles adoram as delícias do capitalismo. E os índios também. |