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Artigos Brasil e a guerrilha
Flávio Oscar Maurer
O episódio da libertação de reféns em poder da
guerrilha colombiana, como todos viram, foi realizado sob os auspícios de um
show de autopromoção pessoal do histriônico presidente venezuelano Hugo
Chaves. A neo-ideologia bolivariana fundada por ele, como qualquer
observador medíocre pode concluir, é apenas uma nova e nada original versão
do velho e decrépito ideário comunista do ditador cubano Fidel Castro que já
deu provas suficientes ao mundo de sua truculência e incompetência em
proporcionar liberdade e desenvolvimento ao seu povo. Depois de sucessivas
derrotas internas em seu megalômano projeto político de se perpetuar no
poder, Chavez apostou todas as suas fichas no papel hollywoodiano de herói
sem fronteiras, atuando como intermediário na libertação de alguns reféns em
mãos de seus amigos das FARC.
A libertação de dois reféns é irrisória ante as
centenas de pessoas de várias nacionalidades que se encontram sob constante
tortura nos campos de concentração das FARC. Ela serviu apenas para colocar
Chavez sob os holofotes da imprensa internacional e principalmente a de seu
próprio país. É muito provável que este ato de libertação já tenha sido
previamente negociado por Chavez com os terroristas com o exclusivo intuito
de alavancar a imagem dele na mídia mundial que estava em franco processo de
deterioração diante de sucessivas derrotas políticas.
A esquerda mundial, é claro, encontrou todos os
motivos do mundo para voltar a incensar o pseudo-líder venezuelano. Ao mesmo
tempo em que Chavez em inflamado discurso que fez para a sua claque, também
chamada de congresso nacional venezuelano, provavelmente como parte do
acordo com os narcotraficantes, conclamou o mundo a retirar as FARC e outras
organizações guerrilheiras colombianas da relação dos grupos terroristas que
atuam no planeta, como também mostrou a íntima ligação que mantém com estas
organizações. Por si só, este ato já seria motivo suficiente para que o
regime de Chavez seja incluído entre aqueles que apóiam o terrorismo em
escala mundial.
As FARC,porém, para não deixar dúvidas ao governo da
Colômbia, imediatamente após a escusa negociação que manteve com Chavez,
mostrou sua verdadeira face: seqüestrou logo um grupo de turistas que se
juntaram àqueles mantidos em cárcere e sob tortura na densa e inóspita
selva. O tiranete bolivariano foi mais uma vez desmoralizado em seu rompante
de estadista ao pretender convencer o mundo de que as FARC são apenas um
grupo insurgente na Colômbia, com propósitos políticos definidos fundados na
democracia.
O que pretendo, porém, comentar é a disfarçada
simpatia que, em nosso país, segmentos da mídia, bem como figuras hoje de
projeção nacional e conhecidos intelectuais nutrem pelas FARC, logo
demonstrados com toda e veemência, diante do êxito da libertação de duas
reféns pela guerrilha. É preciso lembrar à população brasileira que as FARC
são produto da guerra fria e surgiram na Colômbia em 1964, na mesma época
em que grupos terroristas apareceram em quase todos os países da América do
Sul, inclusive no Brasil, todos apoiados, financiados e treinados por países
comunistas, cuja estratégia para a tomada do poder ainda era inspirada na
luta armada.
Naquela mesma época, aqui no Brasil, como é sabido,
surgiram grupos terroristas que adotaram a guerrilha urbana e rural como
estratégia para alcançar o poder e cuja única meta foi a de implantar aqui
um regime comunista semelhante ao de Cuba. Paradoxalmente, apesar de seu
reconhecido fracasso em resgatar a dignidade social, política e econômica do
povo de Cuba, Fidel continua sendo alvo da admiração e dos aplausos de
autoridades de nosso país, bem como os terroristas daquela época são hoje
regiamente indenizados pelo Estado pelos seqüestros, assaltos e
assassinatos que cometeram naquele tempo.
Como é sabido de todos, porém muito pouco
reconhecido, o nosso país foi salvo da sanha dessas organizações terroristas
pela ação decisiva e patriótica da Forças Armadas que as combateram e as
venceram de forma definitiva em todo o território nacional. O objetivo da
guerrilha e do terrorismo no Brasil durante a década de 60 e início de 70 do
século passado nunca foi segredo de ninguém. Alguns de seus próprios
integrantes, quer em depoimentos veiculados pela mídia, quer em livros
publicados, deixaram sempre claro que desejavam, sim, implantar aqui um
regime comunista, para o qual, pasmem caros leitores, chegou a ser modelo
por algumas dessas organizações, a mais pobre e miserável nação européia: a
Albânia. Aquele país e seu sofrido povo até hoje não conseguiram se
recuperar do atraso social, político e econômico a que foram submetidos pelo
regime cruel lá instalado, isto depois de ter se tornado uma nação
democrática há quase 20 anos.
Já na América do Sul, naquela época, o único país que
resolveu tolerar os movimentos guerrilheiros existentes em seu território,
foi a Colômbia. Os governantes daquele país, num erro estratégico sem
precedentes, desconheceram a “práxis” marxista de tomada do poder pela força
e a qualquer preço – os fins justificam os meios – e, ingenuamente,
acreditaram no diálogo com as organizações de esquerda, cujo braço armado
deixou de ser combatido na ocasião oportuna com o vigor e a determinação
imprescindíveis para as circunstâncias da conjuntura mundial daquela época.
Já imaginou o prezado leitor se as autoridades
brasileiras daquela época tivessem caído na mesma cilada em que a Colômbia
caiu? Muito provavelmente centenas de famílias brasileiras e de outros
países estariam lamentando seus parentes há anos seqüestrados no sul do Pará
ou em qualquer outro local da imensidão da nossa selva amazônica. E os
imensos recursos forçosamente desviados para combater os grupos terroristas
muito provavelmente iriam, muito mais que a CPMF, comprometer os projetos
sociais do governo. Qual não seria o vexame que a nação brasileira teria que
passar diante do mundo inteiro em abrigar em seu território grupos
terrorista, aliados ao narcotráfico, que inapelavelmente estariam entravando
a nossa credibilidade internacional para seu desenvolvimento, bem como
fazendo naufragar siglas tipo PAC e outras que são, hoje em dia, o carro
chefe da publicidade do governo?
Flávio Oscar Maurer
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