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Artigos Ano Novo, Ensinamentos Velhos
Luís Mauro Ferreira Gomes Em 24 de janeiro de 2008
Os primeiros dias do Ano Novo foram muito generosos em ensinamentos. Ensinamentos que nada têm de novo, já que decorrem, direta e simplesmente, das ações deletérias do grupo que, finalmente, conseguiu tomar o poder no Brasil e de seus aliados. Mas, se não são novos, nem por isso são menos importantes, pois, por se tornarem, cada vez, mais explícitos, transformam-se na confirmação eloqüente de tudo o que vimos dizendo em nossos artigos, faz cinco anos: caminhamos, aceleradamente, para uma ditadura sanguinária de esquerda, pelas mãos dos que nos governam em nome da democracia. Vejamos alguns fatos: - Hugo Chávez engendrou um plano mirabolante em que simulava negociar, junto às FARC (Forças Armadas Revolucionárias Colombianas), a libertação de três, vejam só, apenas três, dos mais de setecentos reféns mantidos em cativeiro pelos guerrilheiros e terroristas narcotraficantes colombianos, com os únicos propósitos de dar-lhes visibilidade e desestabilizar o Governo do presidente Álvaro Uribe, que, inicialmente, recusou, mas, por pressão internacional – inclusive do Brasil – viu-se obrigado a aceitar a falsa mediação. Lamentável, pois Uribe estava, inicialmente, certo. Chávez não era nem negociador nem mediador, mas cúmplice e financiador da guerrilha. Não era a solução, era o principal problema; - Depois do fracasso inicial (a história é conhecida de todos), finalmente, o ditador venezuelano conseguiu montar o seu circo e receber, com toda a pirotecnia de que tanto gosta, duas dos três reféns anunciados; - O nosso governo e a nossa imprensa apressaram-se em falar em ação humanitária e, a todo custo, insinuar agradecimentos ao tiranete bolivariano. Que ação humanitária? Se lhe restasse algum vestígio de humanidade, as reféns teriam sido transportadas, diretamente, para Bogotá, em vez de terem sido levadas para a Venezuela, onde foram mantidas em cárcere privado, para que Chávez delas se servisse para os seus propósitos políticos, prolongando, assim, desnecessariamente, o terror do seqüestro. A bem da verdade, ele estava, apenas, intervindo em assuntos internos da Colômbia, em proveito de seu projeto pessoal de poder, como ficaria bem claros em suas declarações que imediatamente se seguiram; - Hugo Chávez vociferou, em discurso teatral, que as FARC e o ELN (Exército de Libertação Nacional), os principais grupos de guerrilheiros subversivos da Colômbia, não são terroristas. Disse, ainda, que o seu governo reconhece esses grupos “como Forças insurgentes que têm um projeto político, bolivariano, que aqui (na Venezuela) é respeitado”, e pediu à comunidade internacional que os deixasse de considerar como grupos terroristas que são; - Esta claro que Chávez interfere na Colômbia, como procura fazer, em maior ou menor grau, em toda a América Latina. Além do domínio sobre a Bolívia, o Equador e a Nicarágua, são notórias a intromissão no processo eleitoral da Argentina (com direito, até, a mala com dólares) e a proliferação de círculos bolivarianos no Brasil, onde pretende disseminar o seu processo revolucionário comunista, com a conivência de um governo submisso, subserviente e mal-intencionado; - Também não são novas as demonstrações de apreço de integrantes do governo brasileiro, principalmente, do presidente da República, pelas FARC, por Hugo Chávez, por Evo Morales, enfim por todas as ditaduras comunistas da América e do Mundo, mas a manifestação mais explícita e emblemática deu-nos Luiz Inácio na despropositada recente visita ao ditador cubano Fidel Castro, hoje aposentado das atribulações do Governo, para melhor dedicar-se à subversão no Continente. Em declaração, estudadamente, emocionada disse: “Tenho carinho especial por Fidel. Eu visito Cuba desde 1985, portanto há vinte e três anos. Houve tempo em que vinha a Cuba todo ano”. O carinho era tanto, que doou ao país vizinho dois bilhões de dólares do povo brasileiro, para quem nada sobra. A imprensa disse empréstimo, mas isso é apenas um disfarce, uma vez que todos sabemos que nunca será pago. Por certo, em seus passeios à Ilha, o presidente não recebeu o mesmo tratamento dado aos cidadãos cubanos, que insistem em fugir do “paraíso” a que foram condenados por Fidel, o ídolo do visitante contumaz. Como se esta confissão de amor não fosse suficiente, declarou-se, ainda, “um apaixonado pela Revolução Cubana", revolução responsável pelo assassinato de boa parte das cerca de cento e cinqüenta mil pessoas mortas por regimes comunistas na América Latina. Somente fuzilamentos oficiais em Cuba foram aproximadamente dezessete mil. Que moral têm esses cínicos para falar dos menos de trezentos terroristas supostamente mortos na luta contra o Estado Brasileiro, durante os governos ditos militares? E a população cubana, de pouco mais de dez milhões de habitante, representa muito menos de dez por cento dos cento e sessenta milhões que aqui viviam, naquela época; Cremos em que o que vimos até aqui sintetiza tudo e nos dá a exata dimensão do que nos espera, se nada fizermos diante do projeto político jamais esquecido pelo grupo que detém o poder no Brasil: a perda da liberdade política, social e econômica, ou, quem sabe, da própria vida. Pagar, como preço da subsistência, ser escravo de governantes déspotas é absolutamente inaceitável. É preciso reagir imediatamente. Começamos por repetir o que já dissemos incontáveis vezes: depor uma ditadura corrupta e antinacional não é antidemocrático, imperdoável é a omissão . Com muito mais legitimidade do que Hugo Chávez quando interfere na política interna de outros países – porquanto não somos chefe de Estado, nem pretendemos dominar toda a América do Sul – exortamos o nobre povo venezuelano a depor, logo, esse “neocaudilho”, aprendiz de Fidel Castro. Quanto mais tempo lhe derem, mais perigoso ficará. Que as demais nações sul-americanas despertem para a realidade e se livrem, rapidamente, de todos os governantes que simpatizem com ele, com Fidel Castro, com as FARC ou com quaisquer ideologias totalitárias. É um imperativo de sobrevivência.
Luís Mauro Ferreira Gomes é Coronel-Aviador reformado.
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