NOTA SOBRE O 27 DE NOVEMBRO
José Alberto Tavares
Foi profundamente lamentável que o mais alto escalão do Exército, escondendo-se por
trás de uma nota pífia como a que foi divulgada para todos os militares,
neste ano de 2004, não tenha tido a suficiente grandeza para prestar aos
companheiros que foram covardemente assassinados durante a sublevação comunista de 1935
a homenagem maiúscula que eles muito justamente merecem.
Felizmente, duas centenas de brasileiros dignos, aí incluídos os comandantes militares
sediados no Rio de Janeiro e os presidentes dos três clubes militares cumpriram com esse
dever cívico.
Talvez assustado pelas repercussões da matéria divulgada pelo CCOMSEX por ocasião da
provocação patrocinada por um pasquim brasiliense, revidando à altura a ofensa feita ao
Exército com acusações visivelmente revanchistas, o comando da Força decidiu pela
feitura de uma nota insípida, inodora e incolor, em que procura até justificar o
injustificável. Se foi para agradar aos mandantes de plantão, ficou na medida certa.
Ao ressaltar na nota que a perspectiva do tempo deve ser considerada, é oportuno lembrar
que a mesma não tem o poder de transformar assassinos, seqüestradores, assaltantes de
bancos e terroristas em homens de bem. O que fizeram foi atentar contra as leis do país,
portanto, cometeram crimes. E, não fosse a anistia, concedida pelos vencedores, deveriam
estar sendo submetidos à Justiça. Se, por um lado, consideram-se amparados pela Lei da
Anistia, mas sem condições para condenação dos contrários, continuam insistindo em um
revanchismo estéril, tentando jogar a opinião pública contra as FFAA, com vistas a
enfraquecê-las, embora sem
êxito.
Isto, sim, é alimentar ressentimentos.
A afirmação de que os conflitos ideológicos do século XX foram superados não pode ser
aceita por quem conhece os métodos de atuação dos extremistas da esquerda fanatizada.
China, Cuba, Coréia do Norte e Vietnã aí estão como exemplos de que o conflito
persiste. E os seus discípulos, aqui no Brasil, se pudessem, nos arrastariam para esse
universo macabro.
Quanto a caminhar ombro a ombro, é preciso ter presente que comunistas, como muitos dos
que hoje detêm considerável parcela de poder no país, só caminham ombro a ombro com
quem compactue das idéias que regem seus procedimentos e norteiam seus objetivos, embora,
para uso externo, simulem o contrário.
Por tudo isso, só nos resta lamentar que a homenagem do EB aos heróis de 35 tenha se
limitado a uma nota tão simplória quanto submissa.
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