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Diversos
TENDÊNCIAS/DEBATES
Ainda a CPMF
JOSÉ ALENCAR
São muitas as preocupações,
mas há uma de que não se tem falado nada, e é sobre ela que me permito
falar. Trata-se da defesa nacional
O orçamento sofreu um rombo.
Coisa parecida com R$ 40 bilhões. O equilíbrio orçamentário é absolutamente
essencial para a estabilidade da moeda. Mas o rombo está posto. Quarenta
bilhões de reais.
A partir daí, há sérias
preocupações, presentes na saúde, na educação, no saneamento, na energia e
no transporte, no Bolsa Família. São muitas as preocupações.
Mas há uma de que não se tem
falado nada, e é sobre ela que me permito falar, sem desapreço às outras,
algumas arroladas aqui. Trata-se da defesa nacional.
Dimensão territorial, população,
PIB, situação geográfica, entre outros fatores, nos conferem
responsabilidades especiais em relação à região a que pertencemos.
Somos um país que exerce
responsabilidades maiores em toda a América Latina, notadamente na América
do Sul. Nosso território, é bom lembrar, tem 8,5 milhões de km2. Nossas
fronteiras, mais de 15 mil km de extensão. Nossa costa atlântica se estende
por 7.367 km, do Rio Grande do Sul ao Amapá.
Nosso país possui riquezas que
exigem vigilância responsável. Os recursos minerais, a admirável
biodiversidade, as florestas inigualáveis; terra, água e sol que nos tornam
um dos melhores países produtores mundiais de alimentos e, agora,
biocombustível. Nosso mar territorial, a chamada Amazônia Azul,
representando mais de 50% do território nacional, é riquíssimo em petróleo,
gás, nódulos polimetálicos e recursos vivos. Um patrimônio de valor
imensurável, que exige absoluta atenção e presença de nossas forças em sua
defesa.
Essa é a dimensão. São
gigantescas as responsabilidades que nos pesam.
E, no entanto, há muitos anos,
temos relegado a plano secundário o reaparelhamento das Forças Armadas
nacionais, preocupação que deve estar presente na cabeça não apenas de cada
homem público, mas de todos os brasileiros.
Está na Constituição Federal que
as Forças Armadas destinam-se, entre outras atribuições, à defesa da pátria.
Como, porém, defender nossa integridade territorial, a soberania, a
integração nacional, a paz social e o progresso? A própria democracia?
Como cumprir essa tão nobre
missão desprovidas das condições elementares e essencialíssimas para tal?
Como combater -por terra, mar e ar- a estrutura e a reconhecida agilidade do
crime organizado, do contrabando, do tráfico humano, de armas e de drogas se
não contarmos com os recursos tecnológicos, de equipamentos e de armamentos
correspondentes ao tamanho do desafio?
É de fundamental importância a
manutenção das Forças Armadas em patamar de atualização técnica e
tecnológica, material e humana que lhes permita exercer a inalienável
atribuição. O despreparo e a obsolescência de meios certamente custam mais
caro. As conseqüências são imprevisíveis. A prontidão tem um custo.
Do ponto de vista humano, nossas
Forças Armadas se equiparam às mais bem preparadas do planeta. As academias
e escolas de aperfeiçoamento da Marinha, do Exército e da Aeronáutica
fornecem ao país, anualmente, contingentes aptos ao cumprimento da missão. O
conceito de que desfrutam a Escola Naval, a Academia Militar das Agulhas
Negras e a Academia da Força Aérea Brasileira tem despertado a busca
permanente, por parte de outros países, de oportunidade de treinamento e
aperfeiçoamento para elementos de suas forças.
Como nação soberana, o Brasil
requer uma capacidade de defesa compatível com a sua estatura
político-estratégica e com sua crescente inserção no concerto internacional.
Nesse sentido, cabe lembrar que o decreto 5.484/05, que aprova a Política de
Defesa Nacional, define que "é prioritário assegurar a previsibilidade na
alocação de recursos em quantidade suficiente para permitir o preparo
adequado das Forças Armadas".
Assim, a manutenção da previsão
orçamentária para o ano de 2008 é imprescindível ao atendimento das
necessidades mais prementes e imediatas das três forças, tanto no que diz
respeito ao reaparelhamento material como na atualização dos soldos,
fazendo-se justiça.
Somente dessa forma elas poderão
ajustar-se à estatura político-estratégica da nação, ficando em condições de
respaldar as decisões soberanas do país, seja no cenário regional, seja no
mundial.
É oportuno reiterar que o Brasil não pode prescindir de Forças Armadas que
assegurem seus bens e interesses, que permitam honrar seus compromissos
internacionais e que respaldem sua posição histórica de fiador da paz e da
harmonia entre as nações.
JOSÉ
ALENCAR GOMES DA SILVA , 76, é vice-presidente da República Federativa do
Brasil. Foi ministro da Defesa de 2004 a 2006.
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