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O PT E O DISPOSITIVO MILITAR. // Waldo Luís Viana* - 12/10/2016

O Partido dos Trabalhadores passa por enorme provação, porque de uma posição de desempenho no governo, emagreceu, perdeu as eleições municipais de 2016 e viu estiolada a própria credibilidade, tendo envelhecido (e falido) em pouco mais de treze anos.
O sistema de corrupção sistêmica de que foi fiador (mensalão e petrolão), finalmente descoberto, destruiu-lhe a herança ética que lhe emprestou confiança e credibilidade no início da expansão da sigla e isso gerou enorme decepção para a maioria dos brasileiros.
A tentativa da agremiação de convencer a opinião pública de que houve um golpe parlamentar esbarra na constatação irretorquível  de que foram respeitados todos os trâmites constitucionais, bem como o amplo direito de defesa por parte da presidente deposta, embora o processo de impeachment tenha sofrido imensa distorção em seu término, pelo fatiamento indevido do artigo 52, inciso XIV, parágrafo único, de nossa Constituição Federal.
Tal dispositivo propugna a perda do cargo da mandatária, acrescida de sua inabilitação por oito anos, “para o exercício de função pública, sem prejuízo das demais sanções judiciais cabíveis”, tendo sido “esquecido” o nobre princípio pelas autoridades senatoriais, investidas naquele momento da função de juízes da causa.
Essa constatação de golpe parlamentar tornou-se uma reclamação típica de quem apenas poderia se ater ao campo do poder civil e republicano, sem conseguir recorrer a qualquer dispositivo militar de defesa, a pretexto de defender uma pretensa legalidade ofendida.
Em treze anos de poder, o PT, recheado de esquerdistas e ex-guerrilheiros, sempre desdenhou de todo o coração as Forças Armadas. Os militantes sempre consideraram os militares os responsáveis pela ditadura de vinte anos (1964-1984), pelo alijamento e exílio de seus membros e por um conjunto de sofrimentos expressos e divulgados abusivamente por uma injusta e farsesca “Comissão da Verdade”, que buscava argumentos e justificativas de um lado só, desdenhando os mais elementares princípios do Direito.
A Anistia (1979) valeu, como confirmou o Supremo Tribunal Federal, mas a militância de esquerda não se deu por vencida: desejava  revolver o que foi sepultado para trazer à tona o que até hoje ficou equívoco e sem melhor explicação. Sei que houve mortos de lado a lado, torturadores, torturados, vítimas e assassinatos a sangue-frio. A guerra oficial foi vencida, porém, pelo Estado, cujos defensores eram os militares.
Tentaram nos convencer, à revelia de nossa pobre inteligência, de que os militares torturaram e massacraram à vontade inocentes ativistas anti-ditadura que eram “apenas” democratas – coitadinhos! – e meros agentes dos direitos humanos.
Esse estratagema de linguagem é grave e proposital, porque pressupunha uma reação extremista de um lado e moderada do outro, como se houvesse excessos apenas de um lado só. Esse outro lado “moderado” era o da facção vitimada e trucidada, com raras exceções, entre as quais a “presidenta”, ora afastada, e que ora provou na prática que não possuía qualquer dispositivo militar que a defendesse.
Ocorre que existem arquivos históricos confiáveis de que houve luta armada, guerrilha, sequestros e assassinatos perpetrados pela esquerda radical, que gostaria de ver instaurado no país um regime parecido com o de Cuba, que, então (1964), estava na moda...
Vários próceres do governo deposto, inclusive, foram treinados na ilha dos Castro, retornando ao país com objetivos de retomada do poder pela força. Para os de esquerda, os militares subverteram a ordem que pretendiam instaurar, isto é, uma república proletário-sindical, à semelhança de Cuba e da extinta União Soviética. Para o novo governo instaurado e vitorioso, os que foram para a clandestinidade, os banidos e os cassados representavam a massa de manobra que pretendia desfigurar a Pátria, mediante um regime comunista e ateu.
Os militares simplesmente agora (2016) lavaram as mãos, transferindo aos civis a responsabilidade pelo impeachment. Não por omissão, mas por uma doce vingança pelo tratamento indecoroso dado a eles pelas autoridades do governo impedido, disposto a dominar o oficialato, a baixa oficialidade e a tropa pela pressão desmoralizadora de baixos salários e tentativas sucessivas e fracassadas de infiltração ideológica.
Outra medida desrespeitosa foi diminuir a níveis sofríveis as verbas das Forças Armadas para garantir a sua imobilidade operacional, como também foram tomadas providências explícitas de demitir qualquer liderança autêntica que surgisse entre generais, almirantes e brigadeiros. Para os petistas, a submissão castrense deveria ser a regra geral...
De maneira imbecil, os ex-guerrilheiros, de mentalidade jurássica, presumiram que forças paramilitares e movimentos sociais poderiam confrontar as Forças Armadas combalidas que pensaram ter estruturado em treze anos. Ledo Engano! Os militares preservaram suas estruturas essenciais, seus serviços secretos e principalmente o acendrado patriotismo e amor à Pátria ensinado nas escolas militares de alto nível!
O MST, as centrais sindicais corruptas e os movimentos sociais submissos ao governo deposto pensaram que iriam incendiar o país, mas já foram alertados que se tentarem qualquer coisa serão rechaçados de forma violenta e técnica, dentro dos princípios de defesa da Pátria e da Constituição.
Sabe-se, inclusive, que a presidente ora impedida tentou implantar o Estado de Defesa, em favor de seu governo, mas deu com os burros n’água, porque houve a negativa da mais alta oficialidade em defendê-la.
E assim os militares provaram que estão adestrados e cônscios de que seu papel é previsto na Constituição e que não serão manietados por regimes de ocasião, nem cederão suas virtudes por chantagens financeiras arbitradas por governos inimigos da Nação que eles defendem desinteressada e profissionalmente.
Que a vida siga seu curso e que os civis, parlamentares e juízes, representantes dos Poderes constituídos, encontrem as soluções devidas para as crises e o crescimento do país.
Assim, provou-se que aos militares se atribui a segurança interna da Nação e de suas fronteiras, além de outras funções meritórias ligadas ao aperfeiçoamento da tecnologia nacional.
Na verdade, a melhor coisa de que me lembro do período militar foi de uma música de Chico Buarque, em que ele implorava intensamente: “chamem o ladrão, chamem o ladrão!”. Parece que deu certo a veemência do ilustre compositor: os ladrões foram chamados, estabeleceram-se aqui por treze anos e, descobertos, enfrentam agora as barras dos tribunais.
O mais terrível para o destino desses figurões ao certo foi ter pensado que iriam envolver os militares e oficiais em suas tramoias, o que não conseguiram e jamais conseguirão.
E essa certeza o povo brasileiro com certeza tem!

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*Waldo Luís Viana é escritor, poeta e economista.

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