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CAPÍTULO VII: ALN - AS QUEDAS EM SÃO PAULO

 

 

 

Pela editoria do site A VERDADE SUFOCADA

O início de 1969 foi de prisões e "quedas". No dia 07/05, dia em que assaltava a União de Bancos Brasileiros, em Suzano, a ALN sofreria três “quedas”. Seriam presos, na esquina das ruas Mirassol, em São Paulo, os militantes Rolando Fratti, Alexandre Malavazzi e José Jofre de Farias.

Texto completo

A partir de agosto, a ação dos Órgãos de Segurança atingiria profundamente a organização, mas ela continuava com suas ações.

Em agosto, o grupo de José Wilson Lessa Sabag assaltou o Curso Objetivo, de onde levou 8 mil cruzeiros novos em dinheiro e 12 mil em cheques, que foram depositados na conta de "Luiz Rodolfo Goldman" (nome falso de Antenor Meyer). Para verificar se os cheques haviam sido compensados, e se a conta falsa funcionava, no início de setembro, os militantes resolveram comprar um gravador, na loja Lutz Ferrando na esquina das ruas São Luiz com Ipiranga.

A mercadoria ficou retida na loja, até o cheque de "Luiz Rodolfo Goldman" ser descontado, podendo ser retirada no dia seguinte.

O que eles temiam aconteceu: a loja foi comunicada de que os cheques depositados na conta eram roubados e que se os compradores voltassem para retirar a mercadoria, a polícia deveria ser avisada.

Confiando na sorte, no dia seguinte, em um Volks, Antenor Meyer, José Wilson Lessa Sabag, Francisco José de Oliveira e Maria Augusta Thomaz resolveram ir buscar o gravador. José Wilson e Francisco entraram na loja. Antenor ficou ao volante. Maria Augusta, de pé na calçada. Três guardas já estavam nas proximidades, em vigilância, aguardando a possível chegada dos assaltantes. Dizendo que ia apanhar o gravador no depósito o vendedor alertou os guardas.

Ao dar voz de prisão aos terroristas, foi iniciado intenso tiroteio. O guarda civil João Szelacsok Neto ficou ferido na coxa e o funcionário da Lutz Ferrando, José Getúlio Borba, veio a falecer em conseqüência dos ferimentos. Maria Augusta fugiu a pé. Sabag, ferido no braço, e Francisco conseguiram entrar no carro dirigido por Antenor que arrancou rapidamente em direção à rua da Consolação.

Retidos em um sinal vermelho, logo foram alcançados. Os três abandonaram o carro. Francisco conseguiu fugir do local. Sabag e Antenor, sempre perseguidos pelos guardas, que já tinham como reforço um soldado da Força Pública do Estado de São Paulo, correram para o edifício da Rua Epitácio Pessoa, nº 162, e se refugiaram no apartamento 46, onde morava Roberto Ricardo Cômodo, apoio de Antenor.

Com o prédio cercado, Antenor propôs a Sabag que se entregassem, não sendo atendido. José Wilson Lessa Sabag, fanatizado pelas idéias de Marighela, resolveu resistir até a morte, como sugeria o Mini Manual do Guerrilheiro Urbano. Roberto Cômodo tentou fugir, descendo as escadas. Foi preso sem resistência. Antenor tentou a fuga passando de um apartamento para outro. Desesperado, ao chegar ao 7º andar, tentou escapar descendo por um encanamento de água existente do lado de fora do prédio. No 4º andar, não agüentando o peso do corpo, estatelou-se na área interna, sendo preso com uma perna e a bacia fraturada. José Wilson, encurralado, recebeu a tiros e matou o soldado da FPESP João Guilherme de Brito, quando o apartamento foi invadido. Ainda tentou furar o cerco, atirando para todos os lados, sendo morto no local.

Carlos Eduardo Pires Fleury assumiu o controle do grupo de ação de José Wilson Lessa Sabag.

Mesmo com as "quedas" e a morte de Sabag, a violência não podia parar. No dia seguinte, 04/09/1969, já estava planejado um atentado a bomba, de grande vulto, que jamais se conseguiu saber onde seria executado. Pela manhã, bem cedo, Ishiro Nagami, que se havia ligado ao grupo de Sabag, ao conduzir uma poderosa bomba no Volkswagen azul, placa 44-52-77, para mais um atentado, foi surpreendido com a explosão do petardo, morrendo estraçalhado, junto a outro terrorista que, desintegrado com a explosão, somente viria a ser identificado, tempos depois, como Sérgio Roberto Correa.

A explosão ocorreu às 05.45 horas, em frente ao nº 758 da Rua da Consolação, esquina com a Rua Maria Antônia.

O final de setembro seria melancólico para a ALN, em São Paulo. No dia 24, elementos do Grupo Tático Armado (GTA) foram surpreendidos na Alameda Campinas, quando iam apanhar dois carros roubados para praticar ações. A resistência à prisão foi violenta, como de costume. Depois de cerrado tiroteio foram presos, feridos, Takao Amano, Luís Augusto Fogaça Balboni e Carlos Lichtszejn. Luís Fogaça, levado ao Hospital das Clínicas, não resistiu aos ferimentos e faleceu.

Em conseqüência dessas prisões, em uma semana, foi desbaratado o GTA da ALN e parte do setor de apoio. Foram presos: João Katsonomu Amano, Francisco Gomes da Silva, Antônio Carlos Fon e Maria Aparecida dos Santos. O coordenador do GTA, Virgílio Gomes da Silva, reagiu à prisão e veio a falecer, em conseqüência dos ferimentos.

Celso Antunes Horta foi preso no dia 29 de setembro ao “ cobrir ponto” com Francisco Gomes da Silva. Também, em 30 de setembro, foram presos por indicação de Francisco: Ilda Martins da Silva, e Manoel Cyrillo de Oliveira Netto.

Pouco a pouco, foram "caindo". No dia 30 de setembro foi preso Carlos Eduardo Pires Fleury. O dono da casa onde ele se homiziava, José Paulo Reis, Oficial R2, também foi preso e confessou que a casa era um "aparelho" da ALN, onde eram guardadas armas e munições, além de esconder militantes. Nesse mesmo dia foram presos José Luiz Novaes Lima e Gontran Guanaes Netto, ambos do setor de apoio.

Ainda no dia 30 de setembro, Márcio Beck Machado, do setor de apoio, foi preso na Rua Maria Antônia , em frente à Universidade Mackenzie. Quando era conduzido para a viatura policial, três elementos que faziam sua cobertura, começaram um intenso tiroteio, ferindo o agente Cláudio Ernesto Canton, que não resistiu aos ferimentos. Aproveitando a confusão e o momento de atendimento ao agente, Márcio e os demais militantes aproveitaram para fugir.

No dia 1º de outubro foram presos Paulo de Tarso Venceslau, coordenador do setor de apoio, e Abel Bella.

Ainda em outubro também "cairam": Carlos Alberto Lobão da Silveira Cunha e Denílson Luiz de Oliveira, remanescentes do grupo de Takao Amano.

Essas ações fulminantes dos Órgãos de Segurança resultaram na prisão de 19 terroristas e no “estouro” de 12 “aparelhos”. O grupo de ação de Takao Amano foi todo preso. O grupo de Carlos Eduardo Pires Fleury, sem seu líder, também sofreu muitas “quedas”. Outro grupo desbaratado foi o de Vírgilio Gomes da Silva, que com sua morte ficou sem sua indiscutível liderança. Assim, em 1969, a ALN , bastante desestruturada em São Paulo, levou alguns militantes, como Aton Fon Filho e Maria Aparecida da Costa a fugirem para o Rio de Janeiro, o que iria reforçar bastante a estrutura da ALN naquela cidade.

Vários terroristas dos GTA de São Paulo, por problemas de segurança devido às últimas “quedas”, fugiram para o Uruguai.

Esses elementos, após esbanjarem o dinheiro dos assaltos praticados, hospedando-se em hotéis de luxo, e fazendo turismo, dirigiram-se para Buenos Aires, onde em 04/11/69, seqüestraram o Boeing 707 da Varig, prefixo PP-VJX, que fazia o vôo Buenos Aires - Santiago (Chile).

Com nomes falsos, chefiados por Adalberto Mortati, 8 terroristas, entre eles Rui Carlos Vieira Berbet, Maria Augusta Thomaz, Lauriberto José Reys e Marcílio César Ramos Krieger obrigaram o piloto a desviar o avião para Cuba. Durante o seqüestro ameaçaram os passageiros com armas e bombas e distribuíram panfletos.

Em Cuba, aproveitaram para fazer cursos de guerrilhas, proporcionado por Fidel Castro aos militantes de organizações subversivas. Assim voltariam ao Brasil mais preparados para continuar sua luta insana.

Com as “quedas” do segundo semestre de 1969, foi desmantelado o restante do setor e chegou-se aos frades dominicanos. Foram presos: frei Fernando e frei Ivo, frei Tito e frei Jorge; Carlos Guilherme Penafiel, ex-repórter da Folha da Tarde, responsável pelas fotos para documentos falsos; João Antônio Caldas Valença, ex- frei Maurício, responsável pelo setor de imprensa; o casal Luis Roberto Clauset e Rosemeire Nogueira Clauset, ele ex-diretor da Folha da Tarde; Roberto de Barros Pereira, engenheiro do metrô, que registrou um carro da organização em seu nome; Manoel Carlos Guimarães Morais, engenheiro, que emprestou o carro para levar Joaquim Câmara, Ferreira "Toledo" ao Uruguai, depois do seqüestro do embaixador americano; e Genésio Homem de Oliveira, que emprestava sua casa para reuniões de “Toledo” e escondia terroristas. Os dominicanos também entregaram o esquema de fuga para o Uruguai, propiciando a prisão de frei Beto no Rio Grande do Sul.

Mas a perda pior, da ALN e da própria subversão, de um modo geral, foi a morte Carlos Marighela, narrada no Capítulo VIII. Marighela seria substituído no comando por Joaquim Câmara Ferreira, "Toledo". A ALN, com novos elementos, logo voltaria a atuar com força total.

Leia o CAPÍTULO VIII - ALN - CARLOS MARIGHELA, O IDEÓLOGO DO TERROR

Volte ao CAPÍTULO VI: 1969, A EXPANSÃO DA ALN

 

 

 

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