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07/01/2008 - 18:49
Mensagem de um brasileiro indignado

Antes de terminar o ano, resolvi terminar de passar os olhos na revista Veja, retrospectiva de 2007, e, em seguida, senti necessidade de escrever essas linhas, assim como a última manifestação indignada de um cidadão que se recusa a admitir que o Brasil precise sempre aprender pelo caminho mais difícil, da tentativa e erro.
O ator mais citado no ato de ópera bufa que foi o ano de 2007 mostrado pela revista, o presidente Lula, com o aval das eleições de 2006, se sentiu mais a vontade para enriquecer o rol de citações fantásticas.
Talvez por terem saído de cena alguns orientadores e ideólogos do projeto de poder, que tem Lula como ponta de lança, pessoas essas que, possuindo um mais apurado senso de ridículo que o ator principal, lhe cerceavam, de certa forma, a língua solta.
O incrível nas citações de Lula é o fato de que elas não representam somente o seu caráter inculto e rude. Representam a verdade de seus princípios morais e éticos.
Quando falou da redução da maioridade penal, dizendo que "algum dia queiram punir um feto", zombou daqueles que foram vítimas do descaso do Estado para com o aumento da criminalidade, mostrado em todos os indicadores policiais e sociais, ao longo de décadas.
Quando falou, tratando de denúncias de frigoríficos brasileiros corrompendo autoridades russas, que o presidente "Putin ficou meio putin com o Brasil", mostrou a face grosseira da sua personalidade, e a sua condescendência, já conhecida em outros episódios, com a corrupção, com a falta de ética e com o descaminho da coisa pública.
Quando falou que "é necessário caminhar mais para que o Brasil e Estados Unidos cheguem ao ponto G das negociações", mostrou seu lado de político fanfarrão, quando, incapaz de entender a seriedade de determinadas situações, resolve passar por folclórico, temeroso de assumir uma posição.
Quando se disse um Raul Seixas, dizendo que "principismo você faz no partido quando pensa que não vai ganhar as eleições nunca", seja principismo o que quer que seja, atitude impensada, ou atitude de se guiar por princípios, demonstrou que essas atitudes não têm fundamento ético, moral, técnico que as justifique. São ou foram, apenas, atitudes oportunistas para a luta partidária, em busca do poder pelo poder, na qual os fins justificam os meios.
Quando disse que "é preciso melhorar a massa encefálica dentro do cérebro para as pessoas compreenderem que as mulheres devem ser respeitadas", talvez tenha se referido a sua própria condição intelectual no tratamento de pessoas do sexo feminino. Assumiu uma atitude de coronel nordestino de novela, ao ser confrontado com a civilização.
Quando disse que "para fazer saneamento básico, tem que cavar um buraco, enfiar o tubo e tapar o buraco", chegou a assustar. Assustar, no momento que se pode comparar essa afirmação às declarações de todas as autoridades que se referem a planos e projetos do governo, quando dizem que a "decisão final será do presidente Lula". Assustar pela incapacidade administrativa, pela rudeza do raciocínio.
Quando se referiu ao apagão aéreo que assolava a indústria brasileira do transporte aéreo, depois de um apagão de mensagens não dadas e de entrevistas não concedidas, e, quando concedidas, mal sucedidas, resolveu "ajudar" a crise falando do medo que sente de andar de avião, medo esse que "é elevado à quinta potência por ter atraso dos vôos, por não ter as informações corretas, a pessoa fica a beira do infarto".
Como não sabe o que dizer, não tem como pressionar, nada pode fazer, a não ser assumir sua atitude de bufão terceiro mundista, disse que iria cobrar de Bush a solução da crise, "porque não vamos deixá-la atravessar o Atlântico e chegar ao Brasil". O que impressiona não é o caráter folclórico da afirmação: é o fato de ele e inúmeros brasileiros seus arautos acreditarem em uma patucada dessas.
No caso repetitivo da greve de fome de um prelado baiano, contra a transposição de águas do Rio São Francisco, disse que a greve de fome, que fez quando preso na década de 80, dava uma fome...
Finalmente, mesmo não constando da retrospectiva da revista (como tantas outras afirmações), não poderia deixar de ser comentada a sua afirmação sobre a presa, menor de idade, em cela com homens, em delegacia do Pará. Para uma pessoa que sempre alegou não saber de nada, que o presidente não pode acompanhar determinados detalhes, finalmente, disse uma frase coerente com a sua ignorância dos fatos: "Parece um filme de ficção".
Pena que, para os cidadãos brasileiros que ainda se preocupam com princípios éticos e morais, com a necessidade de administrar bem o país, tratando a coisa pública com mais cuidado do que a própria, o ano de 2007 não tenha sido um ato de ficção, na ópera bufa em que se transformou a administração pública brasileira, entregue a companheiros partidários, incompetentes, inconsequentes. Pessoas que não poderiam ter sido nomeadas, para fazer o que não sabem, o que não podem e o que não queremos.
Queremos nós, que o elegemos. Sim, presidente, eu também o elegi, não por ter votado em seu nome, pois não o fiz, mas por ter participado das eleições democráticas e aceitado o resultado ao seu final.
Hoje, nós brasileiros que o elegemos queremos apenas que, em 2008, reconheça que o fato de ter sido eleito não lhe concede o direito de ser leviano, cercando-se de incompetentes que atrasam a nossa vida, dificultam o progresso e nos fazem, até, sentir vergonha quando olhados como participantes desse absurdo desperdício dos potenciais e da vontade nacionais.
 
 
Marcelo Hecksher
Coronel-aviador (Ref.).