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Direito de falar (I)

Luiz Gonzaga Lessa

A nação foi sacudida ao longo da semana passada com o pronunciamento do general Heleno, comandante militar da Amazônia, no Clube Militar. O governo sentiu-se ofendido quando viu sua política voltada para aos índios posta em cheque e contestada como caótica por quem conhece a região.

Na defesa, procurou explicações, insinuando enquadrar o destacado militar em ato de indisciplina, quando aos olhos de todos os que acompanham a causa indígena se constata que essa política está, de fato, redondamente equivocada, seguramente caótica como foi precisamente definida pelo general, necessitando de urgente revisão no seu modelo segregacionista que, por inspiração externa, religiosamente segue.

Basta visitar uma maloca para se constatar a miséria em que os índios se encontram, os seus graves problemas de saúde, o seu precaríssimo sistema educacional, o primarismo das suas técnicas agrícolas, a absoluta falta de perspectivas sociais e de trabalho, uma das causas para o elevado índice de suicídios que ostentam, o alcoolismo e mais recentemente a invasão das drogas entre os jovens, enfim, o seu esquecimento pelos órgãos públicos em geral, transferindo a suspeitas, aproveitadoras e incompetentes ONG as mais básicas tarefas do governo e do Estado. A Funai, entre os silvícolas, é o retrato da própria falência e do caos.

Felizmente, as ameaças de punição ficaram apenas nas intenções. Se efetivadas, certamente desencadeariam uma indesejável crise militar pela solidariedade que centenas de militares da ativa e da reserva emprestariam ao gen. Heleno. Seria uma honra e uma distinção ser punido por tão nobre causa.

Suas palavras jamais pretenderam estimular a indisciplina ou a contestação, mas, fundamentalmente, advertir a Nação de que está em curso um impatriótico golpe contra a soberania do Brasil, promovido pelo movimento indigenista internacional com forte apoio do seu segmento nacional, e que conta com a complacência ostensiva do governo e do próprio presidente da República, absolutamente omissos, quando se perpetua contra o País uma das mais sérias ameaças à sua integridade, particularmente, depois da aprovação em Genebra, em 13 de setembro de 2007, da Declaração Universal dos Direitos dos Povos Indígenas, que lhes confere a autodeterminação e a posse efetiva da terra que habitam, dando-lhes a faculdade de gerirem como bem lhes aprouver os seus destinos, desvinculados da nação brasileira.

Luiz Gonzaga Schoeder Lessa é general de Exército reformado