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NOTA OFICIAL


O Partido Federalista, na defesa inarredável dos princípios da Autonomia Federativa, Liberdade e Democracia, em face dos eventos ocorridos na República da Bolívia e no Estado de Roraima, no Brasil, vêm de público protestar:
1. Pela indevida e inoportuna interferência do Governo Brasileiro nos assuntos internos da República da Bolívia, em face do Referendo que determinou a vontade popular de uma localidade comparada a uma província ou estado, no caso, o Departamento de Santa Cruz de La Sierra em ter autonomia legislativa, tributária, judiciária e administrativa em relação ao Governo Central daquele país – e não a sua separação.

2. O inoportuno se destaca pela declaração de Sua Excia. Sr. Ministro Celso Amorim, Ministro das Relações Exteriores, que afirmou que o Brasil não reconhece a autonomia daquele Departamento como se esta colocasse em risco a integridade do território boliviano.

3. Tal declaração, partida da nação mais importante do continente latino-americano, além de desastrosa em termos de politica externa, adiciona mais combustível no jogo de forças centralizadoras e autonomistas, com risco de guerra civil.

4. Exige-se do Itamaraty a tradicional e responsável postura brasileira de não interferência dessa natureza e muito menos de demonstrar simpatias por regimes totalitários como os que se formam na Bolívia e também na Venezuela, incoerentes com a prática democrática em voga, ainda que tenha muito a avançar, no Brasil.

5. Exige-se também, por parte do Governo Brasileiro, uma postura coerente com o discurso em “defesa da integridade do território” em relação ao que ocorre no Estado brasileiro de Roraima, pois, ao insistir na demarcação latifundiária de terras para indígenas, cerca de 15 mil, em áreas maiores do que alguns países europeus, depõe flagrantemente contra o Princípio da Manutenção da Integridade do Território Brasileiro, como determina a Constituição Federal.

6. Exige-se também, por parte do Governo Brasileiro, respeito ao Direito de Propriedade, consagrado pelo Artigo 5° da Constituição Federal, pois, ao expulsar fazendeiros que lá se encontram há décadas e até mais do que isso, viola tal Princípio, mais do que expropriação, mais parecido com um ato medieval de vassalagem em nome de interesses escusos.
O Partido Federalista não compactua com tais atitudes, defende o direito de autonomia dos departamentos, províncias e estados de qualquer país e principalmente os do Brasil, razão de sua existência, assim como, defende o direito de autonomia dos indígenas, mas dentro do Estado de Direito Democrático e das regras civis da Nação Brasileira, em áreas dimensionalmente coerentes e amplamente inseridos no contexto da civilização moderna, pois, acima de tudo, indígenas são seres humanos tanto quanto qualquer cidadão, devendo ter deveres e direitos idênticos.
O Partido Federalista não compactua também com a presença indiscriminada de organizações não governamentais (ONGs), muitas da quais, financiadas com recursos do próprio Governo Brasileiro e de estrangeiros, sobre região rica em inúmeros minérios raros, além de exuberante e rica flora, considerando o contexto da biotecnologia e o seu cobiçado e imensurável valor.
Brasília, DF, 05 de maio de 2008.

Thomas Korontai
Partido Federalista
Presidente Nacional
www.federalista.org.br