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Jamais existiu no País alguma outra
entidade - no caso, agrupamento ou bando, já que não tem existência
legal - capaz de demonstrar tamanho desrespeito pelas instituições
como o Movimento dos Sem-Terra (MST). Esse bando não pode ser
comparado a organizações guerrilheiras, pois estas, onde existem,
são combatidas, com maior ou menor grau de sucesso, pelas forças
policiais. O MST, embora use muitos dos métodos violentos daquelas
facções insurretas, aqui recebe subsídios oficiais (por meio de
entidades laranjas "legais") e é tratado com a maior deferência, a
ponto de ser recebido pelo chefe de Estado e governo, que até já
vestiu seu simbólico boné. Apesar desse tratamento, ao desrespeito
junta-se a ingratidão quando o líder emessetista maior, João Pedro
Stédile, ao explicar as razões do Abril Vermelho, afirma que "está
na hora de o governo federal criar vergonha na cara".
Como há muito tempo têm se repetido o "Abril" e outros meses
"Vermelhos", em que o MST e movimentos assemelhados realizam
invasões, ocupações, bloqueios de estradas, depredações e numerosos
atos de violência em vários Estados do Brasil, sempre usando o
pretexto de protestar contra a lentidão da reforma agrária ou
ressaltar datas que consideram simbólicas, em nada surpreendeu a
maneira como "comemoraram" os 12 anos do chamado "massacre de
Eldorado dos Carajás" - quando 19 sem-terra foram mortos em
confronto com a polícia do Pará, em 17 de abril de 1996. A
mobilização resultou em ações variadas, realizadas em 17 Estados e
no Distrito Federal.
Em Mato Grosso, o bloqueio da BR-070 (que liga o Estado à Bolívia);
no Distrito Federal, a invasão do Incra; em Minas, a ocupação da
Fazenda Correntes; no Paraná, a invasão de 11 praças de pedágio; no
Rio Grande do Sul, o bloqueio de 4 rodovias; em Santa Catarina, a
invasão do Incra em Chapecó; em São Paulo, a ocupação da Secretaria
Municipal de Educação de Ribeirão Preto, a ocupação de agência do
Banco do Brasil em Sorocaba e a invasão da Fazenda Saltinho em
Americana; no Ceará, a ocupação de 4 fazendas; no Piauí, a invasão
da sede da Caixa em Teresina; na Paraíba, a ocupação de 6 fazendas;
em Sergipe, a ocupação da Usina Hidrelétrica de Xingó, em Canindé do
São Francisco - estas foram algumas das façanhas dos sem-terra, só
no dia 17, sem que fossem incomodados pela polícia.
Foi no Pará e contra a mineradora Vale, no entanto, que se chegou ao
ponto culminante da "comemoração": a invasão da Estrada de Ferro
Carajás (EFC), em Parauapebas, com paralisação de trem, feita por
garimpeiros e apoiada por militantes do MST. A mineradora já havia
obtido da Justiça, em março, uma decisão proibindo quaisquer atos
contra ela, praticados por movimentos sociais, que significassem
danos a seu patrimônio ou paralisação de seu funcionamento. Na
liminar concedida a pedido da companhia, a juíza Patrícia Whately,
da 41ª Vara Cível do Rio de Janeiro, reconhecera o direito do
movimento de promover ações, desde que não fossem "atos violentos"
ou interrompessem a atividade da empresa.
Na ocasião, Stédile dissera que tal decisão judicial era "uma
idiotice" e prometera, solenemente, desrespeitá-la.
Stédile e o MST cumpriram a promessa. Tratou-se de uma desobediência
- e melhor seria dizer deboche - à Justiça, anunciada com grande
antecedência. Agora se reconheça: se há alguém no País que tenha se
especializado em debochar da Justiça, este se chama João Pedro
Stédile. Processado duas vezes, tem fugido de todas as citações e
fica tudo por isso mesmo. Deixou de comparecer a todas as audiências
e nada aconteceu. Ou melhor, aconteceu: ficou livre do primeiro
processo - por incitação à violência -, que foi extinto. Quanto ao
segundo processo, relativo a sua participação na organização e no
próprio ato de depredação do viveiro da Aracruz pelas mulheres da
Via Campesina, já escapou de duas audiências marcadas e continua por
aí, dando palestras em aulas magnas de universidades e em outras
exibições públicas, sem que ninguém lhe incomode.
O MST e seu líder maior não debocham só da Justiça. Com o
generalizado desrespeito às instituições e às leis, esse bando
humilha a Nação. E faz isso sob os olhos cúmplices e complacentes
das autoridades federais, a começar do presidente da República.
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