Colombiano exilado no Brasil é o elo dos bandidos das
Farc, revela jornal
"Padre Medina", homem das Farc no
Brasil.
O colombiano Francisco Antonio Cadenas Colazzos, o “padre
Medina”, com status de exilado no Brasil desde 2006 por ser
casado com uma professora brasileira, é o responsável pela
troca de cocaína por armas e recrutamento de simpatizantes
das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, revela hoje
El Tiempo, o mais importante jornal da Colômbia,
acrescentando que Peru e Brasil são locais de trânsito para
milicianos, armas e cocaína, o Equador é bastião financeiro
e de refúgio e Venezuela, Costa Rica e México, servem de
“lavanderia” de narcodólares e apoio ideológico, segundo
apurou o serviço secreto colombiano, após análise dos
computadores do vice-bandidão das Farc, Raúl Reyes, morto em
março numa operação militar da Colômbia. O jornal descreve a
estratégia dos narcoguerrilheiros em sete países
latino-americanos, com quatrocentos grupos envolvendo
“revolucionários puros”, ONGS defensoras dos direitos
humanos e partidos políticos oficiais. Um economista
argentino, codinome “Bernardo”, com menos de 50 anos e ex-
assessor da Comissão Econômica para a América Latina e
Caribe (Cepal) entre 1990 e 1996, é um dos “testas-de-ferro”
das Farc no continente – o mesmo papel exercido no Brasil,
segundo El Tiempo, por Cadenas Colazzos, o “Camilo”. Outros
testas-de-ferro atuam no México, Chile, Venezuela, Equador,
Costa Rica e Peru. O jornal espanhol El País, por sua vez,
revela na edição de amanhã – a partir dos documentos
encontrados no computador de Raúl Reyes – que a
Coordenadoria Continental Bolivariana (CCB), com delegações
de dezessete países, entre eles Alemanha e Suíça, cria
apoios e células clandestinas em congressos e encontros
internacionais, como o “Encontro dos Povos” e o “Foro de São
Paulo”. O jornal espanho não cita Lula, presidente
honorário do Foro, do qual se afastou nos últimos anos. Mas
destaca que, classsificada como “terrorista” pela União
Européia em 2002, a narcoguerrilha colombiana abriu espaço
na América Latina com um “aliado providencial”, o presidente
venezuelano Hugo Chávez.