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Recordando a
História
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1-O DIÓGENES DO PT
No bojo de uma CPI da Segurança, ganhou destaque na
mídia uma gravação de 1999 em que o economista Diógenes de Oliveira, dizendo falar em
nome do governador do Rio Grande do Sul, Olívio Dutra, solicitava que o então chefe da
Polícia Civil, delegado Luiz Fernando Tubino, "aliviasse" a repressão aos
bicheiros.
Diógenes é o presidente do Clube de Seguros da Cidadania, uma
organização criada para arrecadar fundos para o PT. Certamente, o ínclito partido irá
reverberar a atitude de Diógenes e inocentar o governador.
O que ocorre, na realidade, é que enquanto Diógenes ficou na
obscuridade, o PT dele usufruiu. Agora, com as luzes da mídia, há que se sacrificar um
peão para salvar uma peça.
Mas quem é esse Diógenes que falava em nome do governador?
Seu nome completo é Diógenes José Carvalho de Oliveira e, nos seus
tempos de terrorista, usou os codinomes de "Leandro", "Leonardo",
"Luiz" e "Pedro".
A revolução de Mar 64 o encontrou como militante do Partido Comunista
Brasileiro (PCB). Sentindo-se perseguido, fugiu para o Uruguai, onde ingressou, em 1966,
no recém-criado Movimento Nacionalista Revolucionário (MNR) de Leonel Brizola.
Ainda nesse ano, arranjado por Brizola, foi fazer curso de guerrilha em
Cuba, onde ficou um ano e se destacou como especialista em explosivos.
Em 1967, já no Uruguai, tomou consciência de que Brizola era muito de
falar e pouco de agir. Diógenes queria, ardentemente, exercitar o que aprendera na ilha
de Fidel.
Retornou ao Brasil e, em Porto Alegre, conheceu Almir Olímpio de Melo
("Paulo Melo"), que o conduziu a Onofre Pinto, em São Paulo, que também se
havia desiludido com o comandante Brizola.
Em Mar 68, concretizou-se o congresso de fundação da Vanguarda
Popular Revolucionária (VPR) - organização comunista criada para derrubar o regime pela
luta armada - cuja primeira direção ficou constituída por Wilson Egídio Fava, Waldir
Carlos Sarapu e João Carlos Kfouri Quartim de Morais, pelo grupo dissidente da Política
Operária (POLOP), e Onofre Pinto, Pedro Lobo de Oliveira e Diógenes José Carvalho de
Oliveira, pelo núcleo de remanescentes do MNR.
Pôde assim, Diógenes, iniciar uma longa trilha de sangue, realizando
algumas dezenas de ações terroristas na capital paulista, dentre as quais assaltos a
bancos, explosões de bombas e assassinatos.
O que se segue é, apenas, uma pequena, uma pálida idéia do que
praticou esse militante comunista.
No início da madrugada de 20 Mar 68, participou do atentado que fez
explodir uma bomba-relógio na biblioteca da USIS, no consulado dos EUA, localizado no
térreo do Conjunto Nacional da Avenida Paulista. Três estudantes amigos, que caminhavam
pelo local, foram feridos: Edmundo Ribeiro de Mendonça Neto, Vitor Fernando Sicurella
Varella e Orlando Lovecchio Filho, que perdeu o terço inferior da perna esquerda.
Na madrugada de 20 Abr 68, preparou mais uma bomba, desta vez lançada
contra o jornal "O Estado de São Paulo", que funcionava na esquina da Rua Major
Quedinho com a Rua Martins Fontes; do mesmo modo que a anterior, a explosão feriu três
inocentes.
Na madrugada de 22 Jun 68, participou do assalto ao Hospital do
Exército em São Paulo, localizado no Cambuci. Fardados de tenente e soldados, cerca de
10 militantes da VPR renderam a guarda e roubaram nove fuzis FAL, três sabres e quinze
cartuchos 7,62 mm
Na madrugada de 26 Jun 68, fez parte do grupo de 10 terroristas que
lançou um carro-bomba contra o Quartel General do então II Exército, no Ibirapuera,
matando um dos sentinelas, o soldado Mario Kosel Filho, e ferindo mais seis militares.
(VER "RECORDANDO A HISTÓRIA" - "ATENTADO AO QG DO II
EXÉRCITO")
Em 01 Ago 68, participou do assalto ao Banco Mercantil de São Paulo,
localizado na Rua Joaquim Floriano, 682, no bairro do Itaim, com o roubo de NCr$ 46 mil.
Em 20 Set 68, participou do assalto ao quartel da Força Pública, no
Barro Branco. Na ocasião, foi morto a tiros o sentinela, soldado Antonio Carlos Jeffery,
do qual foi roubada a sua metralhadora INA.
Em 12 Out 68, participou do grupo de execução que assassinou o
capitão Chandler, do Exército dos EUA. Foi Diógenes quem se aproximou do capitão - que
retirava seu carro da garagem, na frente da mulher e filhos - e nele descarregou os seis
tiros de seu revólver Taurus calibre .38.
(VER
"JUSTIÇAMENTOS" - "ASSASSINATO DO CAP CHARLES RODNEY CHANDLER")
Em 27 Out 68, participou do atentado à bomba contra a loja Sears da
Água Branca.
Em 06 Dez 68, participou do assalto ao Banco do Estado de São Paulo
(BANESPA) da Rua Iguatemi, com o roubo de NCr$ 80 mil e o ferimento, a coronhadas, do
civil José Bonifácio Guercio.
Em 11 Dez 68, participou do assalto à Casa de Armas Diana, na Rua do
Seminário, de onde foram roubadas cerca de meia centena de armas, além de munições. Na
ocasiao, foi ferido a tiros o civil Bonifácio Signori.
Diógenes foi o coordenador do assalto realizado em 24 Jan 69, ao 4º
RI, em Quitaúna, com o roubo de grande quantidade de armas e munições e que marcou o
ingresso de Carlos Lamarca na VPR.
(VER "RECORDANDO A
HISTÓRIA" - "LAMARCA: A TRAJETÓRIA DE UM DESERTOR")
Em 02 Mar 69, Diógenes e Onofre Pinto foram presos na Praça da
Árvore, em Vila Mariana.
Um ano depois, em 14 Mar 70, foi um dos cinco militantes
comunistas banidos para o México, em troca da vida do cônsul do Japão em São Paulo.
(VER "RECORDANDO A HISTÓRIA" - "O SEQÜESTRO DO
CÔNSUL DO JAPÃO")
Diógenes ficou pouco tempo no México, indo rever seus amigos em Cuba,
onde ficou por cerca de um ano. Em 25 Jun 71, saiu de Cuba e foi para o Chile, que havia
se tornado, com Allende, a nova "Cuba sul-americana". Com a queda de Allende, em
Set 73, retornou ao México e daí foi para a Europa, onde esteve em diversos países,
dentre os quais a Itália e a Bélgica.
Em fins de 1974, radicou-se em Lisboa, onde permaneceu um ano.
Em Jan 76, iniciou seu périplo africano, onde foi para Angola e
Guiné-Bissau, sempre junto com sua então companheira Dulce de Souza Maia, a
"Judith" da VPR.
Em 1979 e em 1981, representando o governo de Guiné-Bissau, esteve no
Brasil por alguns dias.
Em 1986, era o assessor do vereador do PDT Valneri Neves Antunes,
antigo companheiro da VPR e fazia parte do movimento "Tortura Nunca Mais".
Na década de 90, ingressou nos quadros do PT/RS, sempre assessorando
seus líderes mais influentes.
Era o Diógenes da VPR. Hoje, é o Diógenes do PT.
F. Dumont
2-Artigo de Élio
Gáspari em 16 Ago de 2008
Em 2008
remunera-se o terrorista de 1968
por Elio Gaspari
Daqui a oito dias completam-se 40 anos de um episódio pouco lembrado e
injustamente inconcluso. À primeira hora de 20 de março de 1968, o jovem
Orlando Lovecchio Filho, 22 anos, deixou seu carro
numa garagem da Avenida Paulista e tomou o caminho de casa. Uma explosão
arrebentou-lhe a perna esquerda. Pegara a sobra de um atentado contra o
consulado americano, praticado por terroristas da Vanguarda Popular
Revolucionária. (Nem todos os militantes da VPR podem ser chamados de
terroristas, mas quem punha bomba em lugar público, terrorista era).
Lovecchio teve a perna amputada abaixo do joelho e a carreira de piloto
comercial destruída. O atentado foi conduzido por Diógenes Carvalho
Oliveira e pelos arquitetos Sérgio Ferro e Rodrigo Lefevre,
além de Dulce Maia e uma pessoa que não foi identificada.
A bomba do consulado americano explodiu oito dias antes do assassinato
de Edson Lima Souto no restaurante do Calabouço, no Rio de Janeiro, e
nove meses antes da imposição ao país do Ato Institucional nº 5. Essas
referências cronológicas desamparam a teoria segundo a qual o AI-5
provocou o surgimento da esquerda armada. Até onde é possível fazer
afirmações desse tipo, pode-se dizer que sem o AI-5 certamente
continuaria a haver terrorismo e sem terrorismo certamente teria havido
o AI-5.
O caso de Lovecchio tem outra dimensão. Passados 40 anos, ele recebe da
viúva uma pensão especial de R$571,00
mensais. Nada a ver com o Bolsa Ditadura. Para não
estimular o gênero coitadinho, é bom registrar que ele reorganizou sua
vida, caminha com uma prótese, é corretor de imóveis e mora em Santos
com a mãe e um filho.
A vítima da bomba não teve direito ao Bolsa Ditadura, mas o bombista
Diógenes teve. No dia 24 de janeiro passado, o governo concedeu-lhe uma
aposentadoria de R$1.627,00
mensais, reconhecendo ainda uma dívida de
R$400.000,00 de
pagamentos atrasados.
Em 1968, com mestrado cubano em explosivos, Diógenes atacou dois
quartéis, participou de quatro assaltos, três atentados à bomba e uma
execução. Em menos de um ano, esteve na cena de três mortes,
entre as quais a do capitão americano Charles Chandler, abatido quando
saía de casa. Tudo isso antes do AI-5.
Diógenes foi preso em março de 1969 e um ano
depois foi trocado pelo cônsul japonês,
seqüestrado em São Paulo. Durante o tempo em que esteve preso, ele foi
torturado pelos militares que comandavam a repressão política. Por isso,
foi uma vítima da ditadura, com direito a ser indenizado pelo que
sofreu. Daí a atribuir suas malfeitorias a uma luta pela democracia iria
enorme distância. O que ele queria era outra ditadura. Andou por Cuba,
Chile, China e Coréia. Voltou ao Brasil com a anistia e tornou-se o
"Diógenes do PT". Apanhado num contubérnio do grão-petismo gaúcho com o
jogo do bicho, deixou o partido em 2002.
Lovecchio, que ficou sem a perna, recebe um terço do que é pago ao
cidadão que organizou a explosão que o mutilou.
(Um projeto que revê o valor de sua pensão, de iniciativa da ex-deputada
petista Mariângela Duarte, está adormecido na Câmara.) Em 1968, antes do
AI-5, morreram sete pessoas pela mão do terrorismo de esquerda. Há algo
de errado na aritmética das indenizações e na álgebra que faz de
Diógenes uma vítima e de Lovecchio um estorvo. Afinal, os terroristas
também sonham.
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