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20/06/2005 - 19h35m
Dilma, a nova comandante da Casa Civil

Globo Online

BRASÍLIA - Dilma Rousseff chega à Casa Civil com a fama de administradora segura e competente em enfrentar crises. Ela assumiu o Ministério de Minas e Energia, no início do governo Lula, com a missão de evitar novos apagões e riscos de racionamento para o país. E se saiu bem, na avaliação do próprio presidente. Ele costuma comentar que Dilma comandou um ministério estratégico e soube gerenciar a situação delicada após o racionamento de energia ocorrido ainda no governo do presidente Fernando Henrique Cardoso. "O Ministério de Minas e Energia é dito como um dos mais exitosos no governo", informa uma fonte próxima a Lula.

Na época da escolha do primeiro ministério de Lula, a nomeação de Dilma foi festejada por empresários e considerada um achado pelos petistas. Afinal de contas, ela aliava a excelência administrativa a um passado de militância. Ex-guerrilheira, Dilma Rousseff passou três anos presa em São Paulo durante a ditadura militar. Foi torturada "física, psíquica e moralmente" durante 22 dias, a partir de 16 de janeiro de 1970, conforme consta em seu depoimento ao projeto "Brasil Nunca Mais". Em entrevista em 2003, ela analisou o período em que passou encarcerada:

- Você passa a ter mais tolerância com o outro e aprende sobretudo a conhecer seus próprios limites e suas fragilidades. É um convívio tão intenso que você constrói proximidades e ganha outra visão de mundo.

Ao assumir a pasta de Minas e Energia, Dilma retomou para o ministério - esvaziado nas gestões anteriores - o papel de formulador de políticas para o setor. Na época, ela chegou a ser criticada pelo suposto enfraquecimento das agências reguladoras, como Aneel (Agência Nacional do Setor Elétrico) e ANP (Agência Nacional do Petróleo), mas respondeu às críticas dizendo que a autonomia desses órgãos se limitava à regulação e à fiscalização. Nos bastidores, brigava para que as indicações fossem técnicas e não políticas. Essa posição teria desagradado ao Palácio do Planalto em algumas ocasiões.

Um dos dias mais importantes da ministra à frente da pasta foi o 30 de julho de 2004, quando o governo federal lançou as novas regras de comercialização de energia. Dilma reuniu a imprensa por mais de duas horas e, ponto por ponto, destrinchou os mais de 70 itens do decreto presidencial. Na tentativa de aumentar a competitividade do setor e reduzir tarifa, o novo modelo do setor elétrico instituiu a comercialização de energia por leilão. No anúncio das novas regras, a ministra criticou o modelo herdado da gestão Fernando Henrique Cardoso e insistiu que só em sua gestão o setor elétrico teria um marco regulatório, que, segundo ela, afastaria o risco de novos apagões.

O sobrenome Rousseff de Dilma vem do pai, búlgaro. Nascida em Belo Horizonte, ela militou primeiro no grupo Política Operária (Polop), junto com seu primeiro marido, Claudio Galeno de Magalhães Linhares. Os dois ingressaram depois no Comando de Libertação Nacional (Colina), que se fundiu à Vanguarda Popular Revolucionária e deu origem à VAR-Palmares.

Em 1969, Dilma ajudou a articular uma das ações mais ousadas da guerrilha: o assalto ao cofre do governador paulista Adhemar de Barros. Na clandestinidade, a ministra adotava codinomes como Estela, Luiza, Patrícia e Wanda.

Foi presa - ou "caiu", no jargão da época - no dia 16 de janeiro de 1970. Um promotor militar a chamou de "Joana D'Arc da guerrilha" e "papisa da subversão". Ficou detida no presídio Tiradentes, em São Paulo, o mesmo em que estava Frei Betto, um dos conselheiros de Lula.

Os tempos de guerrilha vieram à tona na cerimônia de posse como ministra das Minas e Energia. Ela chorou ao lembrar as colegas que foram mortas pela repressão.

A ministra casou-se uma segunda vez. Foi com o gaúcho Carlos Franklin Paixão de Araújo, outro antigo companheiro de guerrilha. Tiveram uma filha, Paula, e separaram-se há poucos anos. Formada em economia, com doutorado em economia monetária e financeira, Dilma construiu quase toda a carreira no Rio Grande do Sul, para onde se mudou em 1974.

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