|
| |
Ternuma- Bsb
Portal
Grande Circo
Brasil
Ternuma Regional Brasília
Por Paulo Carvalho Espíndola, Cel Reformado
O bicharedo ideológico de um só viés cada vez mais atuante; adestradores de
incautos esmerando-se na eficácia; a lona acobertando barbaridades de todos os
matizes; o elenco dirigente empanturrando-se de propinas e de tudo o que cartões
corporativos lhes permitem; no picadeiro o vale-tudo das pantomimas cobrindo
todos os espaços; e o enredo entorpecendo consciências e levando a platéia ao
delírio. Estava armado o Grande Circo Brasil.
A platéia, ah a platéia! Esta era dividida em setores diferenciados -
verdadeiros currais eleitorais - e que se destinavam às diversas classes de
espectadores. Lá estavam desde famélicos até abastados, todos separados por
biombos que alguns chamavam de “justiça social”, não se sabe o porquê.
Os componentes dos setores, por sua assiduidade, comportamento no circo e
retorno eleitoral, eram premiados pelos dirigentes: a muitos necessitados e a
alguns aproveitadores, indistintamente e pela fidelidade no voto, vários tipos
de bolsas, em que se destacava a bolsa-família; à classe média - o setor mais
numeroso e resignado -, um “mimo” chamado ora de carga tributária, ora de
carestia, com o qual expiavam o pecado do voto duvidoso; aos ricos, a boa parte
da mídia, a inúmeros parlamentares, a ex-criminosos políticos e a outros
escolhidos benesses de toda ordem. Na tribuna de honra, o setor mais nobre da
platéia, aboletavam-se integrantes dos “movimentos sociais”, regiamente
aquinhoados pela liberdade que lhes assegurava uma pervertida cegueira na lei. O
grão-mestre dos dirigentes, embriagado, recebia deles diversos bonés diferentes,
com desfaçatez e total desprezo pelo Estado de Direito.
Ontem, 07 de maio de 2008, o Grande Circo Brasil apresentou memorável exibição.
A mulher barbada abriu o espetáculo, engolindo dossiês vazados e carpindo as
mágoas sofridas pela tortura de uma ditadura cruel a que ela combatera com a sua
infinita e pretérita coragem revolucionária. Em seguida, com genialidade, fugiu
do script, teceu loas a um certo PAC do qual é madrinha. Sua performance foi
entusiasticamente aplaudida por uma claque de animados palhaços. Por sua atuação
no picadeiro, recebeu do grão-mestre juras de amor eterno e a promessa de fazer
dela a grande dama de 2010.
O ato final do espetáculo foi do capataz do circo, trazendo preso, com marcante
teatralidade, um cruel fazendeiro que teve a audácia de molestar inocentes
silvícolas invasores de terras na longínqua Roraima. O paladino mostrou,
claramente, que direito à propriedade é letra morta da lei, que soberania é
bobagem de militares e que Brasil é só nome de circo. Novamente, a claque
ruidosa dos palhaços ribombou aplausos pelos ares. Ventos uivantes, num “grand
finale”, fizeram drapejar estandartes vermelhos adornados com estampas de foices
e martelos.
Encharcado de suor, acordei desse terrível pesadelo, recompus-me, alimentei-me
com farto desjejum e continuei a gozar das delícias do ócio de militar
reformado, na certeza de que tudo vai bem no Brasil.
|