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1- A  JCR, a Operação  Condor  e  o Estadão

   Tendo constatado várias distorções de minhas palavras na reportagem “ General admite que o Brasil prendeu estrangeiros na Operação Condor”, publicada no “O Estado de São Paulo” (30/12/07) e a omissão de declarações minhas naquela mesma entrevista,  que acredito colocava o problema em seus devidos termos, escrevi carta dirigida ao Fórum dos Leitores do Estado de São Paulo, na esperança de sua correção.

   A bem da verdade, o jornalista responsável pela reportagem enviou-me Email, apenas desculpando-se por ter-me colocado, equivocadamente,  como chefe da Sec Operações do CIE,  o que não  era o fundamental. Afinal, a reportagem pública não se redimiria, mesmo que reparasse os outros aspectos da questão por um Email, de caráter privado. Relatando o fato a um querido e experiente amigo ele me disse que não era o normal, nesses casos, esse procedimento do jornalista, razão porque ressalto, de qualquer modo, a atitude do jornalista em questão.

O Fórum dos Leitores tem como regra o direito de selecionar as cartas para publicação. É também de sua regra que as cartas selecionadas e não publicadas sejam disponibilizadas no Fórum dos Leitores do estadão. com. br, na Internet no endereço http://www.estadao.com.br/opiniao/opi_forumleitores,0.htm

  Não tendo minha carta publicada por nenhum desses meios, voltei a escrever para o Estadão com o Porte AR, ou seja, com o recibo de recebimento. Queria ter a certeza de que a minha carta tinha chegado à redação e não fora publicada por decisão do jornal. Um direito que lhe assiste, mas, também, uma forma de conhecer a seriedade do veículo. Hoje, (24 Jan) em torno de 16:30 h, recebi telefonema da redação do jornal, informando-me que minha carta será colocada no site do jornal. Fiquei satisfeito por dois motivos: sou assinante do jornal há cerca de 40 anos e a razão dessa fidelidade é sua seriedade e a procura da verdade; segundo, porque com a disponibilidade da carta na Internet meus amigos poderão ter a minha versão colocada de forma correta. Esta última é a razão desse meu comunicado que não pode ser considerado um artigo.

                                         AGNALDO  DEL NERO  AUGUSTO

                                                 General  de Divisão  Ref 

 

2-           

25 de Janeiro de 2008 | Atualizado às 14:52h

Mensagens selecionadas para publicação no estadao.com.br

A JCR E A OPERAÇÃO CONDOR

Tendo constatado várias distorções de minhas palavras na reportagem General admite que o Brasil prendeu estrangeiros na Operação Condor (30/12/2007), valho-me deste espaço para corrigi-las, deixando bem claro que somente concedi a entrevista ao signatário daquela matéria porque entendi que a oportunidade me permitiria mostrar as mentiras que há décadas vêm deturpando a história da participação das Forças Armadas na luta que travaram com duas dezenas de organizações de corte comunista.

O jornalista tomou conhecimento de artigo de minha autoria sobre o tema (Junta Coordenadora Revolucionária y La Operación Cóndor) e me ligou querendo confirmar seu conteúdo. Ora, eu não tinha motivo algum para negar o que havia escrito e não nego. Na gravação que ele provavelmente possui, disse-lhe que ele sabia muito mais sobre essa operação do que eu. Pode-se notar que todas as minhas ponderações foram feitas em tese, de acordo com o que se supõe. Tomadas pelo signatário como fato, coisa ou ação feita, geraram uma distorção indesejada. Uma das poucas afirmações que fiz, baseada em fatos reais, foi quando me referi aos atletas cubanos que, mesmo não sendo terroristas, foram entregues a Cuba. Este ponto é um dos que não se referem na reportagem.

Escreve-se muito, ultimamente, sobre a tal Operação Condor, envolvendo militares que exerceram os mais altos cargos no Exército e no País, mas absolutamente nada sobre a Junta Coordenadora Revolucionária (JCR). Acredito que a maioria dos militares desconheça esses assuntos, sendo pouquíssimos os que já ouviram falar nessa organização subversiva que reunia uma grande quantidade de organizações terroristas.

Em momento algum eu admiti que o Brasil prendeu estrangeiros. Ao contrário, cheguei a mencionar o norte-americano John Dingues, especialista no assunto, que teria afirmado, em palestra proferida na USP, que a participação do Brasil na Operação Condor se limitou ao fornecimento de informações e ao treinamento de agentes estrangeiros. Sobre isso nada é mencionado na reportagem.

O jornalista que me entrevistou, por telefone, está, na verdade, mal informado. Diz, por exemplo, que na década de 80 chefiei a Seção de Operações do CIE, sendo que eu jamais pertenci a essa seção do CIE e nunca servi em qualquer outra Seção de Operações. Escreve sobre Pedidos de Busca do CIE 571/ 1974 e o 36 /1976 de uma forma a induzir o leitor a crer que deles tive conhecimento ou, até mesmo, fosse a sua fonte. No entanto, nunca vi qualquer Pedido de Busca ou informação relativos a essa tal Operação Condor no CIE. Ademais, de 1974 a 1977 eu exercia a função de instrutor na Escola de Comando e Estado-Maior do Exército, no Rio de Janeiro. Afirma que fui adido no Paraguai, função de certa forma ligada à área de informações, embora eu jamais tenha exercido tal função, mas apenas a de assessor de Cavalaria na Missão Militar Brasileira de Instrução. Também jamais ouvi falar, antes daquela reportagem, sobre a mencionada Operação Congonhas, que teria se realizado em 1983. Além do mais, de 1982 a 1984 eu estava no comando do 2.º Regimento de Carros de Combate, no interior paulista, sem ligação alguma com esses assuntos.

A verdade é que, já no governo Sarney, por mais de um ano coordenei um trabalho de pesquisa sobre a luta armada no País, valendo-nos de todas as informações arquivadas no CIE e em todo o Sistema de Informações do Exército. Esse trabalho é que dá uma visão abrangente sobre a subversão no País. Posso asseverar que durante todo o trabalho de pesquisa minha equipe jamais se deparou com qualquer referência à Operação Condor. Conclui-se, portanto, que, se o Brasil efetivamente chegou a participar dessa operação, ela foi coordenada em nível acima do CIE.

 Agnaldo Del Nero Augusto adelnero.augusto@ig.com.br

Brasília