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  Mais preocupações
                                                                 Ternuma Regional Brasília

        Pelo Gen Div Murillo Neves Tavares da Silva

 

          Nem bem tinha externado minhas preocupações sobre notícias relativas ao reajuste de vencimentos de militares, em artigo de 09 do corrente janeiro, já divulgado no site do Ternuma, eis que abro o computador, na manhã de hoje, e me deparo com um comunicado do Centro de Comunicação Social do Exército (CcomSEx), assinado pelo Comandante do Exército.  Datado de 10 de janeiro, dá conta de que houve uma reunião dos comandantes das três armas com o ministro da Defesa e  que “estão mantidos os entendimentos para o reajuste salarial dos militares, aguardando-se somente a recomposição da proposta orçamentária que deverá ocorrer em meados do próximo mês; e após a referida recomposição serão definidas as condições para a concessão do reajuste”.  Tipicamente jobiniana, mais uma vez a notícia  caracteriza o empurrador com a barriga.  Parece uma medida de cautela, em face de várias insinuações da imprensa (ou seriam incentivos, para ver o circo pegar fogo ?) quanto a possíveis atos de indisciplina na tropa. Hoje mesmo, o Correio Braziliense, em sua coluna Brasília-DF, a cargo de Luiz Carlos Azedo, publica caricatura do Pernalonga jobim e, sob o título “O Fantasma do Capitão”, relembra episódio ocorrrido em Apucarana-PR, há mais de vinte anos, mencionando o nome do Cap Walter que teria invadido a prefeitura da cidade para protestar contra os baixos soldos.  Em defesa desse oficial, devo dizer que ele serviu no 2º Batalhão de Polícia do Exército, em São Paulo, que eu comandei e onde ele deixou excelente conceito como profissional.  Só menciona-lo, e nas atuais circunstâncias,  pode parecer que era um desses porras-loucas e que só pensava em dinheiro.  O general cenográfico deve ter pedido aos oficiais-generais de verdade para que fizessem alguma coisa, a fim de que sua cabeça não corra perigo.  E, tampouco, sua eventual candidatura a presidente da república...

          Considerando a recomposição na segunda quinzena de fevereiro, é óbvio que decisões como a desse falado reajuste só virão a público lá para março.  Ou seja, estarão vencidos o 31 de  janeiro, o 29 de  fevereiro e, dependendo da data para encerramento da preparação das folhas de pagamento, o 31 de março.  Para quem já suportou 17 meses (desde agosto de 2006) com o mesmo vencimento, vendo subir, por duas vezes, em janeiro de 2007 e de 2008,  matrículas, IPTU, IPVA e outros encargos,  não é de estranhar que a indignação comece a aumentar.  De minha parte, em situações anteriores semelhantes, não me lembro de ter recebido tão rapidamente uma satisfação do comandante da força. Por que terá  ocorrido agora, com tanta presteza ?

          Diante de tamanha desfaçatez governamental, temo  que aquela velha estória do bode seja aplicada.  Para quem não a conhece:  os comunistas construíram umas habitações com padrão de 9 metros quadrados por pessoa (família de quatro, 36 metros);  tive o desprazer de conhecer os prédios em recente viagem à Polônia, à Eslováquia e à Hungria.  Certo dia, dizem, alguns inconformados com a falta de espaço, foram reclamar.  O partido, como sempre zeloso, ouviu e disse que tomaria providência.  E, realmente, o fez: em casa dos reclamantes mandou colocar um bode mal-cheiroso, para que os moradores tomassem conta para o governo.  Claro que o ambiente tornou-se insuportável.  Depois de algum tempo e sem qualquer aviso, os bodes foram retirados.  Todos os interessados passaram a se considerar moradores de grandes mansões...  O reajuste, cujos índices variariam de 27 a 34 por cento, dependendo dos postos e graduações, e que viria em setembro de 2007 e setembro de 2008, não chega nunca.  O bode está na sala !!!  Promete-se, então, 7 ou 8 por cento a contar de maio ou junho de 2008 e todos acham que é melhor do que nada... Alguém duvida ?   Desse governo de petistas recalcados, alguns quase analfabetos, nunca se deve duvidar quando se trata de desprestigiar e desgastar os militares. 

          A alegação de que não haverá dinheiro choca-se com a recentíssima medida do governo, tomada ao apagar das luzes de 2007, já sem CPMF.  A bolsa-família será estendida aos menores de 16 e 17 anos, à base de 30 reais mensais.  Aumenta-se a esmola, coincidentemente, com os novos eleitores para o pleito de 2008.  Também não faltarão recursos para um congresso ou reunião semelhante com gays, lésbicas, transexuais, etc,  a fim de ser debatida e assegurada sua condição.  Há uma medida já publicada em Diário Oficial de novembro passado.  Não consta que haja alguma em defesa da família bem constituída,  sempre atormentada pela violência, pelo descaso dos serviços públicos etc,etc.  Sinais dos tempos. 

           Brasília-DF, 11 de janeiro de 2008.

                    Autorizada a reprodução, divulgação e impressão, desde que conservado o nome do autor.