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A PALAVRA E O GESTO

Por Ternuma Regional Brasília

Pelo Gen. Bda RI Valmir Fonseca Azevedo Pereira

     Assistimos à entrevista do ministro da Defesa. Não sabemos qual foi a audiência do evento. Pequena provavelmente, se considerarmos a ínfima projeção do entrevistado entre o chamado “grande público” e o reconhecido desinteresse de parcela considerável da sociedade brasileira por assuntos sérios, como Segurança e Defesa, ainda mais num ministério que não lhe aufere, segundo sua lógica, nenhum benefício financeiro.

     Assim, o público antenado na entrevista, na sua maioria restringiu - se ao universo das Forças Armadas, com incidência no setor da reserva. E o ministro, sabia disso. Por isso, brindado com amenos questionamentos e palatáveis indagações, degustou com prazer a oportunidade de navegar em berço esplêndido e aproveitou para divagar com palavras adrede estudadas e chavões decorados, que certamente calam fundo no coração dos militares.     Contudo, se o gesto muitas vezes prescinde de palavras, estas sem o gesto, perdem - se na imensidão dos céus. Elas se escoam na poeira do tempo. E são meras palavras, sem suporte, sem consistência, sem valor. E tornam-se vãs afirmações ("vana verba"), sem suporte lógico, sem... 

     O gesto, mais do que tudo, concretiza a ação. Ele é o ato, é o verbo, é a comprovação de uma idéia, é a tradução de uma vontade.

     O gesto foi a ameaça do ministro ao vivo e em cores quando assumiu o ministério, foi o recado transmitido aos militares pelo “espaçoso”, quando compareceu com sua excelência “o loquaz” ao lançamento do livro “A memória...”. O gesto foi a ameaça ao General Carvalho, ao Comandante do Exército, foi a defenestração do General Santa Rosa, foi a demissão do Coronel Fregapani, e a extinção de uma Secretaria do MD, exonerando o General Bini, para estabelecer no lugar da mesma uma Secretaria de Aviação. O gesto foi fardar - se de General no Haiti, isto após acerbas críticas que recebeu, por idêntico desrespeito e eloqüente abuso ocorrido na Amazônia, poucos dias antes.

     O gesto, o temerário, este ou outros, não vemos, acontecem na calada da noite, nos escaninhos do poder, por detrás das portas. E destes, somos testemunhas ao longo das últimas décadas. E, inexoravelmente, não nos são favoráveis.

     Não por acaso, assistimos ao sucateamento de um poder militar minimamente compatível. Não por acaso, assistimos à deteriorização dos nossos salários.

     Portanto, assistimos ao vivo o que chamamos de A Apoteose do NADA.

     Para quem gosta de ser enrolado - Bom Proveito.

Brasília, DF, 03 de outubro de 2007

 

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