Ternuma-Bsb
O SILÊNCIO DOS BONS
Ternuma Regional Brasília
Genaral de Exército
A.
L. M. de Paiva Chaves
CRÕNICA 18 (19 Set
2009)
"O que mais preocupa não é o grito dos violentos, nem dos corruptos, nem
dos desonestos, nem dos sem caráter, nem dos sem ética. O que mais preocupa é o
silêncio dos bons".
A frase lapidar é de Martin Luther King, prêmio Nobel da paz, paladino da luta
pelos direitos civis dos negros nos EUA, assassinado em 1968 por suas idéias.
Em nosso país, há sinais fecundos de que os bons começam a ficar preocupados
com seu próprio silêncio.
A campanha "Ficha Limpa" coletou mais de um milhão e trezentas mil assinaturas
de eleitores, necessárias para enviar ao Congresso projeto de lei de iniciativa
popular, que veda candidaturas de condenados em primeira instância, Conseguir a
promulgação não será fácil. Contraria interesses de muitos parlamentares que
respondem a processos. Talvez por isso, a reforma eleitoral foi aprovada em
sessão relâmpago da Câmara. Nem mesmo se concedeu tempo para leitura das
emendas oriundas do Senado. Todas descartadas, com exceção da utilização da
internet, aprovada com pequenas alterações. A exigüidade do prazo para validar
a iniciativa popular na próxima eleição - até 2 de outubro -é outro sério
complicador. O texto votado já está pronto para sanção presidencial. Só uma
grita ensurdecedora dos bons poderá reverter o quadro.
Os bons também precisam quebrar o silêncio para opinar sobre a autorização para
reabertura de bingos e máquinas caça-níqueis, que está a caminho na Câmara. Os
que a defendem acenam com significativa coleta de impostos e oferta de milhares
de postos de trabalho, embora seja patente seu interesse por polpudas
contribuições para a campanha eleitoral. Os que criticam enxergam mais um largo
canal para o vício do jogo, crimes financeiros e corrupção.
Outra preocupação é a milionária compra de aviões para nossa Força Aérea.
Amortecidos, em parte, os efeitos de inoportunas declarações do Presidente e de
seu Ministro da Defesa, está o Congresso motivado para conhecer as propostas
dos três competidores. Convocará audiência pública. Ouvirá fornecedores,
técnicos e quem mais tenha conhecimento de causa para apresentar argumentos
esclarecedores. No âmbito desse instrumento democrático, não será condenado ao
silêncio quem for reconhecidamente habilitado. A contribuição de todos os que
forem ouvidos propiciará elementos para a decisão mais adequada ao vultoso
investimento, às nossas necessidades de defesa e à absorção de tecnologia para a
nacionalização de manutenção e de produção.