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                                                 EDUCAÇÃO NO TRÃNSITO – ÉTICA E CIDADANIA

Ternuma Regional Brasília

General de Exército ALM Paiva Chaves

CRÕNICA 7

Com este título, o Correio Braziliense de 4ª feira 10 de junho publicou um Suplemento Especial que merece aplausos.
A primeira surpresa do leitor foi o título. Sua mensagem de capa, ilustrada com foto de quatro crianças postadas atrás de mesa que representa uma via, com suas pistas e faixas de pedestres, é a de que o trânsito deve estar inserido nos currículos escolares. A segunda foi sua associação aos postulados de ética e cidadania.
O suplemento é rico em informações sobre livros infantis distribuídos pelo Denatran às escolas – campanha “Viva o Trânsito” – e seu conceito favorável entre os educadores, além de várias matérias, tanto de interesse de professores quanto de motoristas e pedestres.
O conteúdo reafirma a possibilidade e a disposição da mídia de dar sua contribuição para minorar os males que afligem a sociedade, não apenas divulgando fatos, acontecimentos lastimáveis ou elogiáveis, mas também chamando à razão aqueles que já não sentam em bancos escolares.
Levar o assunto trânsito para as escolas é investimento que há de gerar dividendos no futuro, quando as crianças de hoje, conscientizadas, estarão com as mãos num volante. Mas discutí-lo em tão alto nível jornalístico sem dúvida haverá também de produzir efeitos imediatos sobre os que hoje dirigem veículos. As estatísticas revelam as trágicas conseqüências do abuso do álcool, da inobservância de limites de velocidade, da imprudência de ultrapassagens, da ingestão de compostos químicos para espantar o sono, da leniência com os cintos de segurança, do desrespeito às faixas de pedestres. São milhares de vidas que se vão, ou subsistem mutiladas, carregando suas dores e a frustração de seus projetos.
Ética e cidadania não são temas comuns de conversa. Os menos letrados mal sabem o que significam. E os de maior bagagem cultural frequentemente os evitam, seja por acharem áridos, seja por não desejarem confrontá-los com a própria consciência. É lastimável. Talvez seja por tais motivos que tanto falta sua prática em nosso país, a começar pelos que têm maiores responsabilidades em demonstrá-la. Trazê-los para o título do suplemento foi inspiração de grande alcance. Quem se demorar, pouco que seja, em refletir sobre seu significado, haverá de concluir que a leitura poderá influenciar o comportamento dos atores do trânsito e – quem sabe? – fazê-los rever suas atitudes em tudo o que diz respeito à vida comunitária.
É animador constatar que, em sua política editorial, um jornal de grande circulação, não se limita às notícias do dia-a-dia. Vai muito além. Não somente cobre assuntos de educação, mas, ele mesmo educando, alerta o leitor para suas responsabilidades individuais em relação à coletividade.
Ética e cidadania são mais do que valores apenas desejáveis, que alguns poucos devam ou possam praticar. São impositivos para quem vive em sociedade. E o recado foi dado, por via indireta. Da escola para casa, as crianças repetirão aos pais a lição que aprenderam. Estes terão de se debruçar sobre suas próprias atitudes, para fugir à vergonha de serem questionados e inculpados pelos próprios filhos.