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Os comunistas,
que sempre estão em minoria, trabalham para propagar sua
influência além de seu número, formando coalizão com
ouros grupos, entidades civis ou partidos, em nome de
alguma causa comum, para depois irem, gradativamente,
ocupando os espaços e os cargos dirigentes de todo o
movimento.
Objetivam, com
isso, insinuar sua linha política na consciência dos
demais, de forma que, instintivamente, todos comecem a
falar o idioma comunista, exigindo medidas
definidas como de seu programa mínimo.[*]
Recorde-se que
seu carro-chefe nos anos 80, após a anistia de 1979, no
Brasil, foi o fortalecimento da sociedade civil.
Através da
infiltração sistemática, a rede de instituições que
conforma a sociedade civil é levada,
sutilmente, a conjugar suas reivindicações específicas
com as palavras-de-ordem definidas pelo partido como
capazes de mobilizar as forças contrárias ao regime em
uma ampla frente.
Essa expressão
– sociedade civil –, foi hoje incorporada de
tal forma ao uso corrente que passou a fazer parte dos
discursos e pronunciamentos de parlamentares e demais
autoridades. Alguns sem mesmo conhecer o seu real e
abrangente significado, citando-a na presunção de que
exista uma sociedade militar, e não para
estabelecer um parâmetro entre ela, a sociedade
civil, e a sociedade política.
Eles, os
comunistas, procedem baseados em um planejamento
calculado e concebido para influenciar os
não-comunistas, enquanto que estes últimos atuam como
indivíduos, isoladamente, que querem realizar uma obra e
sabem que os problemas a resolver são complexos. Os
comunistas estão isolados de qualquer influência
recíproca por sua ideologia, por seu desprezo aos
liberais burgueses e pelo sentido de superioridade
que lhes proporciona o saber que são eles quem, de fato,
manejam a situação.
Outra
finalidade da atuação em frente ampla,
frente única, frente popular, pacto
comum ou qualquer que seja a denominação que, de
acordo com as circunstâncias, se lhes dê, é converter o
maior número possível de pessoas em grupos de
influência submetidos ao seu comando.
O partido dá,
também, muito valor a abaixo-assinados onde
constem as assinaturas de conhecidos liberais
não-comunistas, que não viram motivos para dizer
não aos companheiros de luta. Igualmente às
concentrações de massas e atos públicos, nos quais esses
mesmos liberais aparecem como comissão de frente.
Embora na
maioria dos casos não consigam influir na política
governamental, os comunistas sempre são vitoriosos,
porque criam uma situação na qual um grupo de liberais
não-comunistas compartilha de seu fracasso.
Na medida em
que esses companheiros de fracasso, por suas
posições, vão sendo jogados para a oposição ao governo,
tenderão a dizer desse governo e de seus dirigentes o
mesmo que os comunistas.
Ademais, a
experiência compartilhada do fracasso abranda, quase
sempre, a atitude para com o partido, fazendo essas
pessoas mais receptíveis às suas interpretações sobre os
problemas nacionais e a forma de solucioná-los.
Os comunistas
colocam a reforma em um extremo da escala e a
revolução em outro extremo, com a reação
entre ambas. Encaram os reformadores e os
reacionários como preservadores do status-quo.
O inimigo
principal dos comunistas, porém, não é a reação,
que por sua própria resistência às mudanças contribui
para a criação de uma situação revolucionária,
e sim os reformistas que, ao melhorarem as
condições de vida do povo, contribuem para a redução das
tensões das lutas de classes, dificultando, assim, o
triunfo dos comunistas.
Entretanto, o
partido não pode opor-se abertamente à reforma
da mesma maneira que, com efeito propagandístico, se
opõe à reação, pois fazê-lo equivaleria a
perder o apoio das massas que, corrompidas pela
democracia burguesa e carecendo de consciência
de classe, preferem apenas uma pequena melhoria a
uma melhoria total, que dependerá de um vasto
descalabro revolucionário.
Em
conseqüência, desempenham os comunistas a estranha
tarefa dual de aparentar aliança com os reformadores
para, ao mesmo tempo, tratar de desacreditá-los e
impedir que resolvam os problemas o suficiente para
aliviar as tensões. Para essa tarefa, a frente, o pacto,
a aliança, ou seja lá o nome que receba, oferece um
campo de manobra ideal, pois legitima a presença dos
comunistas junto aos reformadores e aproveitam
ao máximo toda ocasião de assumir uma tarefa de
vanguarda contra as forças da reação.
Isso permite
aos comunistas realizar o que Marx recomendou em seu
discurso à Liga Comunista: andar adiante dos
reformadores, sendo menos tímidos e mais
generosos nas demandas que formulam em nome dos
necessitados e descontentes. Gozam também da mesma
vantagem de que gozou Lenin quando se propôs derrubar o
governo de Kerenski: a de ser irresponsável, ao
contrário dos reformadores responsáveis que
consideram viável a nossa sociedade e contribuem para
que ela funcione, propondo soluções que sejam
praticáveis.
Diz um dos
princípios básicos do marxismo-leninismo que o governo
de qualquer país é um governo de classe e
nenhum Estado jamais defende os direitos e promove o
bem-estar de mais de uma classe. Em conseqüência, os
partidos comunistas dos países não comunistas
consideram-se atuando sob um governo inimigo, o qual
deve ser destruído.
[*] Nota Redação MSM: sobre o
assunto recomeda-se a leitura dos artigos disponíveis
nas Editorias MSM
Gramscismo e
Desinformação.