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Diversos

NOTA OFICIAL DA ARQUIDIOCESE DO RIO DE JANEIRO
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Em setembro de 2005, a Secretaria Especial de Políticas para Mulheres,
diretamente subordinada à Presidência da República, encaminhou à
Comissão de Seguridade Social e Família da Câmara dos Deputados um
Projeto de Lei elaborado por uma Comissão Tripartite (integrada por
representantes dos Poderes Executivo e Legislativo e de entidades da
sociedade civil, em cuja participação a Igreja Católica não foi
admitida), e que propunha a descriminalização do aborto no Brasil.
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No dia 4 de outubro de 2005, a relatora, Deputada Jandira Feghali,
apresentou parecer incorporando o relatório dessa Comissão Tripartite a
um substitutivo do PL – Projeto de Lei 1135, de 1991, definindo o aborto
como um direito da mulher, e propondo extinguir todos os artigos do
Código Penal Brasileiro que definem o crime de aborto. Com isto, todos
os tipos de aborto deixariam de ser crime e a prática se tornaria legal,
por qualquer motivo, em qualquer momento da gravidez, isto é, durante
todos os nove meses, desde a concepção até o momento do parto [1].
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Diversos grupos da sociedade civil têm se organizado no sentido de
tornar conhecida essa atividade, em si mesma pública, da Parlamentar. Na
quinta-feira, dia 21 de setembro de 2006, no entanto, a Arquidiocese de
São Sebastião do Rio de Janeiro foi surpreendida com um Mandado de Busca
e Apreensão de "material de propaganda eleitoral em desfavor" da
candidata Jandira Feghali ao Senado. Esse Mandado foi conseqüência de
uma representação da Coligação "Um Rio Para Todos" (PT, PSB e PC do B)
ao TRE – Tribunal Regional Eleitoral.
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Em cumprimento ao Mandado de Busca e Apreensão, os Oficiais de Justiça e
a Advogada da Coligação vistoriaram todas as dependências da Sede da
Arquidiocese, não respeitando nem mesmo o Gabinete Oficial do
Eminentíssimo Senhor Cardeal e os Gabinetes dos Excelentíssimos Senhores
Bispos Auxiliares. O material procurado não foi encontrado, e não era de
autoria nem de responsabilidade da Arquidiocese.
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Ontem, dia 25 de setembro, às 15h11min, o Eminentíssimo Senhor Cardeal
Dom Eusébio Oscar Scheid, Arcebispo do Rio de Janeiro e o Excelentíssimo
Senhor Bispo Auxiliar, Dom Dimas Lara Barbosa, foram notificados do teor
da seguinte liminar: que orientem
"a todos os párocos, vigários paroquiais e diáconos ou eventuais
celebrantes de ofícios religiosos, no sentido de que se abstenham de
qualquer tipo de comentário ou referência político-ideológica, sob pena
de caracterizar-se desobediência à presente ordem judicial".
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Nesse mesmo dia 25 de setembro, no entanto, o Colegiado do próprio TRE
cassou essa liminar, por cinco votos a um. Afinal, a Constituição
Brasileira foi respeitada e prevaleceu a democracia.
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A Arquidiocese do Rio de Janeiro, na fidelidade à sua missão evangélica,
reafirma sua posição com relação às eleições 2006 – expressa no
documento intitulado "Voto Consciente", distribuído às Paróquias - em
que incentiva a participação dos católicos na política e a escolha de
candidatos comprometidos com os princípios e valores éticos e cristãos;
reafirma, ainda, o ponto principal do documento: o respeito à vida e à
dignidade da pessoa humana desde a concepção até a morte natural.
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É direito do eleitor conhecer seus candidatos e sua atuação. Por outro
lado, espera-se de todo candidato a devida transparência em todos os
seus atos e propostas.
Rio de Janeiro, 26 de setembro de 2006
Dom Assis Lopes
Bispo Auxiliar do Rio e Moderador da Cúria
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